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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Parede em branco



Hoje eu acordei com uma sensação estranha. Não era exatamente um mau humor... era uma introspecção, aquela que te provoca uma vontade de ser invisível, pra que nenhuma outra boca venha te perguntar alguma coisa... acordei com um desprezo profundo pelo telefone e justo hoje ele tocou bastante, tocou e retocou... até arriar a bateria... Eu não quero falar com (quase) ninguém. Claro que até pra mau humor ou introspecções... seja lá o que isso for... há as exceções. Se minha inspiração ligasse para mim, eu atenderia com um sorriso na voz: “oi, amor! É maravilhoso falar com você!”.... “Ah... que dia lindo, não?!” Excepcionalmente adoraria o dia, ainda que por um, dois minutos... o tempo que durasse a ligação. Ou talvez pelo resto do dia, mesmo!

É, mas a inspiração não ligou...

As palavras têm me atormentado, não me deixam mais dormir. Fecho os olhos e elas começam a vir... “poemas, problemas”... “mau humor, introspecção”... daí, já viu, né? Quem dorme? Levanto correndo, acho um toco de papel e derramo as palavras...

Dia desses tive um aborto semântico... poético, gramatical, sei lá... eu estava sonhando com uma poesia (é, poeta sonha é com poesia... essa coisa do amor amado... é pra quem lê, não pra quem escreve...) então, eu estava sonhando com uma poesia. Não pense que era uma cena de amor: eu e poesia, um beijo molhado... claro que não... No meu sonho havia uma casa, de paredes rosa clarinho, e numa delas, (que era branca) tinha pátina, toda espiralada... e pela janela eu podia ver um jardinzinho, simples e floridinho... eu conversava com não sei quem... (talvez sozinha, repetindo a realidade), eu apenas ouvia a minha voz em bom tom, falando o tal poema que talvez nunca mais vai nascer... falava em “dia cinzento como a Irlanda do Norte”, em “gelatina de sombra”...

Não me lembro de mais nada... aqui, no mundo cruel e real, tocaram a campainha... dei um pulo da cama e acabou-se poesia... E a visita inesperada pergunta: “estou te atrapalhando?” E eu respondo: “ ’magina!!!” ( e resmungo: “Você só abortou uma poesia...”)

Ai, minha poesia... Ela estava tão formadinha... imagino seu nomezinho como seria... mas foi tão súbito, que não tive tempo de vir acordando e, como num ritual, ir capturando as palavras borboleteando em minha mente... só agarrei pelo pé essas vagas idéias...

Um dia, quem sabe, eu não junte esses restos de sonhos a outros e crie uma obra-prima?

Mas eu sinto saudade daquela casa, de pátina espiralada, do tom pueril do rosa nas paredes... talvez eu volte... mas isso é quase impossível...

Hoje está um dia assim, meio irlandês, de baixa temperatura, de chuvinha fina e gelada, de céu gris, sem graça... e eu, bombardeada pelas palavras, introspectiva, mas já disse: não é mau humor! Coisas de TPM, talvez... e eu não quero falar com ninguém, mas esse silêncio me endoida...

Liga pra mim?!

10 comentários:

Renata Mofatti disse...

Achar um toco de papel e derramar as palavras... Tudo isso é muito belo...

Ludmila Clio disse...

Renata, quero ler vc tbm... já estou sabendo que vc é fera!! Bjão, obrigada pela "inauguração"! Volte mais vezes!!!

Marcelo Grillo disse...

Lud, poesia é assim mesmo: cavalo montado que passa à nossa porta, ou bilhete premiado de loteria que deitamos ao lixo. Poeta tem sempre de estar atento: um olho na vida, outro no sonho. E papel e caneta sempre à mão. Mas, como somos mesmo uns sonsos... Beijo

Elisa disse...

Mas nem adianta! Não vou te ligar!!
É incrível ver que esse dom vem desde pequenina. Tenho guardada todas as suas poesias, seus textos e quando é dom não tem jeito, dura a vida inteira!!

Paixão, M. disse...

Adorei essa coisa de sonhar poesia! Me ensina? Acho que só tenho mesmo uns sonhos muito comuns... Tenta lembrar como era esse lance de gelatina de sombra, que eu gostei demais da imagem... aliás, espero que volte à casa de novo e retorne com a poesia toda!

Ah, e dias introspectivos... muito freqüentes por aqui :) mas não necessariamente é tristeza, não!

beijão, fico MUITO feliz que tenha feito um blog! Vou indo dormir, e nada melhor que um copo de letras bem antes! Feito copo de leite morno com mel.

the drama queen disse...

e eu li essa beleza com um copo de café (que, sim, esfriou!) e essa chuvinha gostosa...adoro
e também aguardo essa poesia
ah isso de sonhar com poesoa (bem, não foi necessariamente umapoesia que saiu) mas eu já sonhei com trechos
eu achei uma coisa muito engraçada da primeira vez que aconteceu mas agora quero que aconteça de novo =)
beijos!

Ludmila Clio disse...

Milena, quem sou eu pra te ensinar alguma coisa nesse ramo?!
Tbm espero retornar à casa, mas é pouco provável... e vc entendeu bem a introspecção... não é tristeza, nao é mal-humor... é um encontro dos meus eus... e detesto interrupções, rs!
Obrigada pela força! Vc é responsável pelo nascimento disso aqui! E a melhor pedida, como disse por lá.. vai ser sempre um pão-de-sol com um copo-de-letras!!!
Bjão!

Ludmila Clio disse...

Renoir!! (por qual deles devo chamá-la?!)
Obrigada por ter vindo aqui! Vou passar no teu tbm! Como assim o café esfriou??? É, eu sei o texto ficou meio grandinho mesmo... tenho o mal da prolixidade, por mais que eu tente encurtar... é uma luta!
Quem sabem noutro dia outros trechos aparecem para vc? Em todo caso, deixe uma ponta de papel e um lápis à mão!
Grande beijo!!

the drama queen disse...

o café esfriou porque não consegui parar de ler e acabei esquecendo ele na mesa =)
não me importa a proxilidade se render textinhos como este

Leca disse...

OI, TE ENCONTREI, JÁ ESCREVI ANTES, MAS NUNCA SEI COMO ENVIAR...
ISTO É MAIS UM ENSAIO...
BJSSSSSSSSSSSSSS