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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Oba, hoje estou triste!!!

"220 desencapado
Sei que sou um desastre em potencial
De mão na cintura você me pergunta
se vai ficar mais alto o meu baixo-astral"
(Herbert Vianna)


Quando me sinto triste
as palavras vêm me visitar,
ficam farfalhando em volta de mim
E eu me faço de inocente,
fico quase imóvel,
analisando cada uma delas
E de repente eu acendo a luz,
pego caneta e papel
e as capturo, uma a uma, na folha
Isso me satisfaz, me alivia a alma,
me dá um prazer indizível...
Hoje eu acordei dissonante,
minhas sensações estavam esquisitas
minhas intenções, desafinadas
Comecei a trazer à memória
cenas que eu nunca vi,
que não me pertencem e que só me envenenam
Dei vida aos mortos
Provoquei os meus sentidos com questões sem sentido algum
Hoje eu preparei meu próprio veneno
e o bebi pausadamente,
sentindo-o descer vida abaixo,
estourando cada célula do meu sossego
Hoje eu me entristeci
por ver minhas fraquezas expostas a mim mesma,
por sentir medo de fantasmas (que absurdo!)

[Dizem que eu sou o cisne que ainda não se viu refletido
nas águas do lago e que ainda acredita ser o patinho feio]

Entretanto, o que fica disso tudo
são as palavras presas aqui na tela do computador
e a minha alma bailando leve outra vez...

(Aah... já começo a esboçar o meu melhor sorriso...
Que bela paisagem é a minha vida!)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MARIA DA PENHA (às vítimas da violência doméstica)


Arrancaram os trilhos da cidade,
o trem já não passa de lembrança.
Ficamos ilhados,
sem comunicação com o outro lado da rua.
Nos condenaram às sentenças mais atrozes.
Deram-nos opções, as piores.
O campo está seco,
talvez falte-nos o pão.
Nessa terra que era minha,
abracei o estrangeiro,
convivi com o inimigo.
No ar pairava o cheiro do álcool.
Vi a face da covardia.
Ele, em suas mãos, trazia a força descontrolável,
covarde e odiosa.
Em seus olhos morava a maldade.
Num convívio ébrio e violento
tive a alma machucada,
conheci dores que, nem mesmo a eternidade me fará esquecer.
Mas,
de dor em dor,
de decepção a decepção,
minha essência não subjugou-se.
Lancei-me, então, à tempestade.
Andei pela minha cidade sem os trilhos,
meus passos tropeçaram no desconhecido.
Sem comunicação com outros corações, isolei-me.
E vi do alto o campo, outrora infértil,
agora encharcado de esperança...
...Nesse momento a minha alma recusa a dor.
Quando o dia amanhecer
Vou esticar meu coração sob o Sol
para que se evapore cada gota de humilhação
e fique em mim a certeza de que,
apesar dessa praga,
ainda verei meu campo lindamente florido.



(Seria este um desabafo ou apenas mais um devaneio do meu eu-lírico?!)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

12 de Outubro


12 de outubro, Dia das Crianças...

Quando eu era criança, os morros eram mais altos e as escadas, bem mais compridas. O engraçado é que não me cansava...
A roda gigante era muito, muito mais alta e o algodão doce do parquinho, muito mais fofinho!

Quando minha mãe me gritava do portão pra eu parar com a brincadeira com a molecada da rua, eu tentava ao máximo ignorá-la, até que não tivesse mais jeito, e eu fosse _contrariada_ pra casa. Hoje eu chego em casa e não há alguém me esperando; tanto faz se eu chegar duas horas mais tarde ou não chegar.

Quando eu era criança, gostava de ouvir conversa de adulto, ficava na espreita, atrás da porta, ouvindo os desabafos e os conselhos das amigas da mamãe e dela própria. Hoje, legal mesmo é ouvir as brincadeiras da minha filha com suas bonecas. (Papo de adulto é um saco!)

Eu achava que meu pai era um herói! Ele me colocava pra dormir (não sem antes me fazer um carinho nos cabelos e me dar um beijo de boa noite). Ele era um camarada amável e engraçado. Eu poderia jurar que ele me amaria para sempre... hoje, nos falamos _no máximo_ duas vezes por ano: no aniversário dele e, às vezes, no meu.

Minha mãe sabia tudo!
Ela continua sabendo, mas mora lá do outro lado do oceano.

Quando eu era criança, achava a ‘tia’ da escola linda e perfeita. Eu não sabia calcular a idade, nem o peso das pessoas. Hoje eu vejo, de vez em quando, a ‘tia’ da escola e não acredito como pude por tantas vezes querer ser uma mulher de rosto tão comum... ah, e acertar com precisão a idade das pessoas não tem gosto de nada... nada!

Quando eu era criança, passava tardes inteiras com meus lápis de cor e papéis em branco, criando e desenhando o mundo do meu jeito. Hoje ainda tenho lápis de cor e papéis em branco também. Mas minhas tardes são vazias, cheias de nada, imersas em saudades e preocupações. E se rabisco papéis, é para fazer contas. Ou a lista do que está faltando.

Quando eu era criança, eu dormia cedo, eu dançava em frente ao espelho, eu tinha uma amiga invisível! Hoje eu tenho insônia, não danço nem em pista de dança e tenho mais de cem contatos no celular. Amigos? Três, no máximo.

É, cresci. Cresci como acontece com todo mundo.

Hoje eu choro mais, a minha dor dói mais do que quando eu esborrachava o joelho no cimento grosso. Hoje eu tenho TPM, eu menstruo, tenho que arrancar pelos na cera fria. Hoje eu estou na vitrine de uma sociedade. Tenho satisfações a dar (ou pelo menos, tem gente vigiando, esperando diariamente por elas...)

Bom mesmo é ser criança. É dormir no meio da festa, no colo do pai. É arrancar os sapatos que apertam. É simplesmente não sorrir, caso não esteja a fim.

Ser poeta é estar criança. É ver mais cor, sentir mais sabor. É esquecer-se logo do machucadinho e correr pra brincadeira novamente.

12 de outubro é o “Dia das Crianças”. E quer saber?
12 de outubro é meu também!