Seja muito bem-vindo ao Copo de Letras!! Sirva-se sem moderação. ;)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Apaixonados



Acalme a aflição de teus olhos, meu bem
 não questione nada
 ainda que eu não possa tocar-te a qualquer instante
 mesmo eu sendo tua e não respirando-te,
 não questione.
 Vejo refletida em teus olhos a agonia de tua alma
 Porque estou em ti sem fazer-te sombra
 E teus braços não me alcançam
 Mas mesmo assim
 Não questione nada
 Não fale do amor como uma sentença
 Apenas sinta-o como um milagre
 Ou não sabes que as semente morrem para viver?
 E aconteceu-nos esse milagre!
 Éramos secos,
 Estávamos mortos
 E agora estranhamos a luz do sol,
 Rimos das novas cores da vida
 Vivemos uma felicidade que entristece
 Uma paz que atormenta
 Uma saudade que encanta
 E é por morrermos de tanto amor
 Que os anjos já não choram mais.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Variações do mesmo tema sem sair do tom*

"Amor não é necessariamente paixão e romance. Também tem a ver com companheirismo." (Woody Allen)

Não foi pelo amor. Foi pela dor.
Se não fosse assim, nada mudaria
e aquele inferno morno ainda seria real
Amor bem intencionado, mas sem clima propício para crescer:
exposto ao sol da ansiedade, matando-o dia-a-dia
Então
O céu desabou em chuva
(e o mundo desabou na minha cabeça)
Muita coisa mudou porque tinha que mudar:
perspectivas, expectativas, estações
corte de cabelo, peso na balança, temperaturas
Livros foram lidos, manias abolidas
Palavras novas aprendidas, algumas outras, nunca mais pronunciadas
Os dias tornaram-se curtos: passei a andar a duzentos por hora
(anseio por uma fermata, sobretudo por volta de quinta-feira!)
Tratamento de choque cura mesmo: perdi mil quilos na alma. 
Por aqui
o clima agora é outro
a música é mais alta que o silêncio
Nada de morte: estou vivendo!
Mas o coração continua repetindo o mesmo assunto...


* a frase que intitula este post é de Herbert Vianna, em "300 picaretas" 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ah se eu tivesse aprendido isso antes!!

Semana passada uma grande amiga me puxou pelo braço, me sequestrou pro banheiro lá do nosso trabalho e abriu a boca a chorar...

"Ai amiga... recebi uma prova ontem na faculdade. Tirei 'insuficiente'... ai meu Deus... por quê?"

O tom dela era de profundo desânimo, desespero... em outros tempos eu sinceramente não saberia o que dizer, mas hoje em dia, depois de tanta pancada, depois de jogar tanto peso fora, só consegui dizer: Han!? E agora? Chorar desse jeito vai resolver? Vai aumentar a sua nota?? Hum... não, né?! Então pára de chorar... foca no que você pode fazer agora: agora, AGORA, você não pode fazer nada!! Depois de amanhã talvez já dê pra pensar em recuperação, enfim! Então bora secar essas lágrimas! Doeu, você não esperava, mas não adianta mesmo sofrer dessa maneira, amiga!!

Ela meio que se conformou, como quem não tem mesmo uma opção, ainda meio descrente, mas sabendo que lá no fundo, a única coisa a fazer era "aceitar", ao menos naquele momento, a nota tão ruim.
...

Passaram os dias e isso ainda não completou uma semana.
Hoje, no trabalho, entre uma ligação e outra (naquele call center doido!) ela virou pra mim na maior naturalidade e disparou:

"Ah, amiga!! Me dei mal naquela prova, mas em compensação tirei 'excelente' na outra! Alô..."

Hã?? Peraí!!!


Bem, evidente que fiquei muito feliz com a notícia dela, mas o que me fez parar foi perceber o quanto nos dedicamos às más notícias e o quão pouco desfrutamos das boas. A nota ruim dela exigiu de mim alguns minutos de companheirismo, consolação, ombro amigo. Mas a nota boa, lembrada a esmo, em meio aos telefonemas, foi dada assim, assim... e me senti humanamente mal por me saber assim também: somos tendenciosamente inclinados à dor, ao que não deu certo e, com certeza precisamos abandonar isso! Um conceito "excelente" sugere-nos uma comemoração, um abraço apertado de felicidade, de conquista! Mas com que frieza damos e recebemos as boas, as melhores notícias! Com que frieza a jogamos no prato para comê-las, sem sequer sentir seu gosto tão gostoso! Com que frieza estamos vivendo...

ou passando pela vida...



 http://www.youtube.com/watch?v=WbNNGPoH6QI
musiquinha boa, de letra pra incomodar... afinal, ser feliz é simples e é pra agora.
Bora??

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vem ver com os próprios olhos!!

Então...

primeiro quero justificar rapidamente porque não postei ainda o tal poema do concurso de poesia da FDCI. Ele, na verdade, tem um recurso visual e eu estou esperando um artista aí voltar da Argentina pra ver se ele resolve essa parada pra mim. A minha parte é escrever, gente. Essa coisa de edição, bytes e afins, definitivamente não me pertence... portanto... aguardem mais um cadinho...

E, "A" notícia a qual me referi no último post é que meu livro será lançado! \o/\o/\o/


Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!

Pois é... depois de tantas idas e vindas... vai sair minha cria!! Os orçamentos já estão sendo feitos, os contatos e registros,todos a pleno vapor... a Unimed está entrando com cara, corpo, alma e coração nesse projeto! Devo ser bem sincera e dizer que disputei a Lei Rubem Braga 2010 e não fui, a princípio, contemplada. Entretanto, houve uma desistência e eu era (felizmente!) a próxima da fila! Então, vem aí pela Lei Rubem Braga 2010 meu livro intitulado: "Sem filtro na veia - 72 poesias selecionadas".

Seu título foi extraído daqui: http://www.youtube.com/watch?v=DKzDan6gy_U&feature=fvsr
(clique com o botão direito e abra em outra janela - eu não sabia dessa! Já disse que meu negoço é escrever... rs)

A proposta do livro é inovar, fazer bem diferente do tradicional. Só posso adiantar também que terá fotos maravilhosas da Nat http://natassyacarvalho.blogspot.com/

E o prefácio de ninguém menos que Ignácio de Loyola Brandão...
http://www.releituras.com/ilbrandao_bio.asp

Por isso, até que o livro "nasça", só postarei agora textos que não serão nele publicados ... vou mantendo atualizadas aqui todas as notícias referentes a ele. Mais uma vez agradeço a todos os que seguem, visitam o blog, me apoiam e estão na torcida! Para o lançamento do livro, todos estes serão carinhosamente intimados!!

:)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Novidades!

Bem, como prometi que agora daria uma agitada aqui no bloguinho... vamoquevamo!!

Deus, muito, muito, muito obrigada! Por tudo!!!!

A maré tá boa, gente! Neste mês de outubro foi publicada uma crônica minha na revista Cachoeiro Cult (custa só R$3,00) e fui contemplada com o 3º lugar no concurso de poesia promovida pela FDCI (Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim).

Confesso que mandei o trabalho por mandar, mais amistosamente que nunca. Foi uma boa surpresa!

Enfim, mais um pontinho na minha caminhada. MAS... a melhor notícia está por vir... não quero adiantar nada agora, mas realmente, a GRANDE novidade vem aí!!

Aguardem!
Pra quem me apoia e gosta do meu trabalho, meu muito obrigada!!
(logo logo posto aqui o texto colocado em 3º lugar no II Concurso de Poesias da FDCI)

domingo, 17 de outubro de 2010

Rodízio de você

Tem fome que a comida não mata,
que vem consumindo o corpo,
doendo mais pra cima do estômago
e deixa o peito dormente, faminto
A alma vai minando em roncos e carências
e os olhos logo entregam o que se passa lá dentro.


Daí você aparece
e meus olhos famintos, te devoram
Vou estraçalhando cada gesto, cada detalhe de você que a mente nunca esquece
Vou deliciando o tom da tua voz,
procurando teus olhos, que sorriem pequeninos,
mas que carregam todo um universo no qual amo mergulhar
Você vai passando na minha frente
Sem saber que se oferece em pedaços para minha alma,
que logo vai matando a fome que a mata,
sorvendo todo o teu tempero,
todo caldo, toda fatia, todo sutil movimento…
Você é a comida que não se encontra em qualquer lugar,
que custa caríssimo, que não está para todos,
que tem porte de iguaria
e quer de mim o meu melhor.
Não, não preciso do garfo, da colher,
bastam meus olhos
E eu me farto em você e em toda tua irresistível presença!





www.youtube.com/watch?v=RSltbtS8h6o
(porque a boa música também me alimenta!)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Esse filme eu já vi! Será? Eu acho que não...

Já contracenei com muita gente... umas, eu realmente faço questão de me esquecer, outras, no entanto, são inesquecíveis!




A vida vai nos ensinando qual o tema mais apropriado para a gente, aonde a luz é melhor, qual o close que nos valoriza mais... daí a gente vai ensaiando, gravando, errando, deletando, repetindo, melhorando...
Nessa fase de laboratório em que me encontro, estou trancada aqui, para rever quadro a quadro meus vacilos e minhas grandes atuações. Ainda falta muito para ser uma estrela, mas bem que estou me esforçando...




o melhor de errar é ter frieza para analisar e humildade para admitir: "falhei aqui!"


Depois de tanto ensaio, de tanta reclusão, estou surpresa comigo mesma, quase que irreconhecível diante do espelho crítico dos meus próprios olhos. É como tocar piano: sempre tem um trecho na música em que a gente agarra e parece que nunca vai conseguir tocar com fluência. E enquanto a gente não pára pra se dedicar e estudar dedo a dedo lentamente, nada funciona. E daí, repetindo, ensaiando pacientemente, criando macetes, acelerando... puff!!! Já sabemos tocar a música inteira de cor, às vezes até de olhos fechados.

A vida é assim, como um filme, uma música, que vamos treinando e revendo. Assistindo a nós mesmos com o olhar mais frio possível é que vemos quantas cenas podem ser repetidas, umas em slow, lentamente... quantas precisam ser passadas no ff, rapidíssimo, pra que não se sinta a dor outra vez... quantas devem ser definitivamente cortadas pra nunca mais serem vividas de novo... e em quantas podemos apertar pause, pra prolongar, ao menos, por uns instantes todo aquele encantamento...

Há cenários aos quais eu jamais vou voltar, por opção mesmo! Há frases e textos inteiros que jamais vou pronunciar outra vez, cenas que não me permito mais fazer e trilhas sonoras que eu prefiro ignorar.

 
A reclusão pode fazer bem, que nos digam as lagartas!!! Ainda não saí do meu casulo, mas certamente estou feliz com os resultados!


 Daqui uns tempos eu lanço a parte 3, 4 (talvez 5, tenho que fazer as contas) do meu filme. Mas já aviso de antemão: muitos personagens do passado estarão nessa nova temporada! E vai parecer lançamento, vocês não vão acreditar!!!

           Em breve, nos cinemas! Ah, entrada só para vips!
                                                     ;)

domingo, 3 de outubro de 2010

Porque te amo

Há poesias que não sabes,
mas bem sei que compreendes;
Ternos pensamentos que não imaginas,
doçuras que não revelei.
Devo externar meu sentimento destemido,
tão confuso, muito embora cristalino,
que me dilacera, que me atrai.
Devo dividir esses anseios, essas sensações e o encanto
Confessar que estou consumida de saudade
Avassalada por esse meu querer,
esse meu querer que tanto te quer,
que cresce a cada vez que renasce o Sol.
Devo confidenciar que, a cada noite,
dormes embalado pelos meus pensamentos de luz
E que,
a cada amanhecer levo ao teu coração o primeiro deles
Como se buscasse em ti a inspiração para respirar
Com se descobrisse em ti a vocação para viver.
Só queria que soubesses
Hoje chorei quando ouvi, ao longe, a tua voz,
dizendo qualquer coisa, que eu nem me lembro...

domingo, 26 de setembro de 2010

Herança

Estamos a uma semana da eleição. O texto abaixo, embora atual, foi escrito em 1998. Junto a ele postei um video que está rolando no youtube, extremamente preocupante.




Ouçam:
Ergam a bandeira da ilusão
Adorem os teus ideais
Lutem por justiça
E continuem a dormir com a mentira.
Caiam de joelhos
Bebam as próprias lágrimas
Calem-se, abandonados pelas palavras
Aliem-se uns aos outros
Até que cheguem os cifrões
A corromper vossos corações
Caminhem pelas incertezas
Descubram no azar, a própria sorte
Pois desde a Criação o sol nasce para todos,
Mas hoje a fome é só para os escolhidos
Todos têm sangue,
Mas a doença, só alguns...
Vão! Plantem idéias enquanto riem de vós
Continuem a pedir um pouco
Àqueles que lhes encolhem as mãos
Porque a Pátria não lhes dá as sementes
Mas é certo que se fartará com teus frutos.


É, domingo que vem, bora todo mundo votar!!! Haja ânimo, haja boa vontade entre nós e, sobretudo, haja misericórdia de Deus, porque vamos precisar!



http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Novamente

Cansar do cotidiano é humano! Daí a gente sai a trocar os móveis de lugar, a ler e reler papéis que se tornaram velhos, reter alguns, embolar outros... bora arrumar gavetas: da geladeira, da cômoda, da alma! Às vezes o tédio é tanto, que só de trocar a franja de lado, já tá valendo!!

Há muito tempo que eu estava meio insatisfeita com meu bloguinho, da cara dele, do conteúdo dele... hoje, numa conversa (não, quando a gente se encontra, definitivamente NÃO é uma conversa, é um ENCONTRO!!) com uma das raras pessoas especiais da minha vida, recebi o peteleco que faltava!!!

Tã-nã!!!

Eis aqui o copinho, repaginado, com novas intenções!!

Não deixarei de postar meus guardados, nem os novíssimos (aliás, depois de um bom tempo sem escrever, estou com frases, temas, cores e dores vazando pelos ouvidos!!) entretanto, pretendo postar com mais frequência, fazer desse lugar meu cantinho!

Então, pra começar... uma música linda, com letra mais linda ainda! Uma daquelas que eu ouvia mil vezes, antes do meu mundo se acabar...

www.youtube.com/watch?v=dNiVLYWLg6w&ob=av2n

P.S.: Alê!! Te amo, valeu pela dica!!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sal...dade...

"... porque sal que corta é saldade..."
(Ludmila Clio)



Eu queria a infinitude do céu para extravasar todo o meu cansaço,
mas bem que o teu abraço me faria mais feliz.
Eu queria estar numa paisagem de silêncio para,
em tom de sacramento, sussurrar a minha dor,
mas estar contra o teu peito, ouvindo teu coração, já me faria feliz.
Hoje eu queria estar entregue ao mar para que ele levasse toda a melancolia daqui,
e teu simples olhar faria de mim uma borboleta.
Eu queria paz, abrigo e toda a cumplicidade de que preciso.

O cais está vazio
No porto não há vozes
Mas, meu amor,
Quanta vida há nesse lugar!
A esperança é o que me move.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Melodiar


Alma: sol e praia...
Areia: rabiscos e letras...
Mar: céu aberto, luz e vento...
Coração: em pedaços... pulsando em pensamentos...
Grito de liberdade: ou seria de socorro?
...
Ouvir teu coração batendo é ouvir a música mais linda que sai de ti...
Ouvir tua música é uma forma de estar com você!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Use filtro solar

Fiz uma brincadeira, uma versão de "Filtro Solar" para as mulheres. Se você ainda não conhece o original, acesse o link, vale a pena!!!


http://www.youtube.com/watch?v=-wTbW0hEQTk&feature=related




Mulher,

não caia nesse papo furado de que você chapadinha é mais espontânea... a bebida não torna nenhuma mulher mais sensual ou atraente... ao contrário, a bebida a deixa vulnerável, vulgar... no fundo, só a idiotiza. Você chapada não vai se lembrar dos melhores momentos, vai perder os acordes mais lindos, vai trocar as pernas, vai perder a classe e, pior: às vezes vai acordar aonde sequer deveria ter ido...

Maquiagem é legal, mas cara lavada tem seu lugar e sua hora.

Uma trança nos cabelos pode ser mais significativa que uma impecável escova progressiva.

Salto alto é lindo, mas não combina com tudo...

Ser escrava da moda não é inteligente. A moda traz consigo outras escravidões, como ao cartão de crédito, às revistas de fofocas, às dietas torturantes, à beleza, ao corpo... estar na moda será sempre uma escravidão, uma maneira fashion de ter sempre uma bola de ferro nos pés e, querendo ou não, a moda vai te tornar meio fútil... não perca tempo com isso, seja autêntica. Vá ler um livro!

Pisar em ovos não presta. Ter receio em se expressar não conquista. Ser tapete, tá por fora!! Lembre-se de que há tapetes no mundo que custam milhares de euros, mas a sua única funcionalidade é o de ser pisado: não adianta ser linda e valorosa se te permite ter essa função.

Mulher que fala inglês tem seu charme... mas tem que saber viver o sentido de no pain, no gain. Ah! E sempre diga com quem você realmente se importa: God bless you! O efeito é simbiótico!

É claro que os dias gris virão, mas nesses dias, é melhor liberar os seus queridos, lembre-se de que ninguém é obrigado a aturar a sua cara feia. Em dias vermelhos, reúna as amigas, faça uma bacia de pipocas e coma sem culpa! Ligue o som nas alturas, devore um prato de brigadeiro...

(os homens jamais entenderão como precisamos dessas catarses...)

Se tratando de acessórios, menos é mais. Se tratando de roupas, mais é mais ainda! Esqueça essa cilada de apelar para o corpo, porque por mais que você se dedique, um dia ele vai começar a despencar. Seja inteligente: "prenda" as pessoas ao teu sorriso, àquilo que você transmite pelos olhos e não, à sua pele.

Dê muito carinho. Sorria mais. Não se esqueça de Deus, Ele é o maior investimento que você pode fazer para si mesma.

Cerque-se de pessoas amáveis. Corra das ácidas: elas podem corroer a sua vivacidade.

Pedir perdão não é feio. Voltar atrás não é humilhação. A soberba e o orgulho são poderosos elementos anti-felicidade.

Pode ser que você não concorde hoje. Essas verdades não nos chegam do dia para a noite, são gradativas e empíricas. A gente vai se moldando, se forjando, aprendendo e, sendo inteligente, vai apreendendo.

Eu também não concordava com tudo isso.

Durma o quanto puder. Vá para o trabalho a pé. Olhe sempre nos olhos das pessoas. Ouça o que elas não estão falando. Fale com os olhos, faça-se entender silenciosamente.

Ore sempre, tenha um coração agradecido. Não abra mão de quem você ama.

E, no mais, use filtro solar!!!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Insone


Já é alta madrugada e não consigo dormir.

Não consigo dormir porque daqui eu ouço o teu coração gritando, ao longe, o meu nome.

Pois teu lugar não é lá, não é aquele, nem o outro

o teu lugar é aqui, em mim, serenamente posto entre a pele e a alma.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Segredos

"Todo amor,
todo amor dorme numa caixa, numa gaveta,
numa sala escura que às vezes visito..."
(Herbert Vianna)

Vivi um amor daqueles muito especiais, daqueles que a gente vê em filmes e suspira, daqueles que a gente lê em livros, e se imagina... daqueles que, no fundo, no fundo, todo mundo quer. Pois então, vivi um amor desses, sem preço, sem muita descrição, sem qualquer comparação.

Um dia meu amor se desfez, por um motivo grande (não maior que ele), por um motivo que por si só não basta; o motivo havia, contudo ele não se justificava. Entretanto havia uma razão pela qual o meu amor nunca mais poderia ser vivido e a vida me exigiu matá-lo.

Senti então uma dor de alma que só quem já passou por isso é que a conhece. Daquelas em que a gente agarra o travesseiro, se ajoelha com a cara na cama e grita, grita para tentar expulsar toda a dor que se sente; e chora, chora as lágrimas mais quentes que um corpo pode produzir. Mas isso de nada adianta, apenas cansa. Cansa até à exaustão... daí a gente pára de chorar, quase que sem força para respirar e fica com o olhar fixo em um ponto, mas na realidade, o que se vê é o filme de tudo o que vai ter que ser assassinado para sempre...

Eu não fui capaz de cometer esse pecado. Instinto assassino não é meu forte; talvez o que eu tenha de mais forte seja um instinto torturador, não sei. Aliás, não sei mesmo; não sei se foi pena, senso de desperdício, covardia ou sincero respeito... só sei que decidi guardar aquele amor numa caixa resistente, dessas bonitas e decoradas, que resistem bem ao tempo, às traças do real. Enfim, guardei aquele amor numa caixa.

Os dias naturalmente se passaram. A vida foi encontrando seu eixo. E eu já era capaz de me lembrar daqueles tempos sem chorar ou coisa assim. Voltei à vidinha que eu tinha antes daquele amor e fui reciclando tudo o que eu já tinha, até mesmo os sentimentos e os sentidos.

Mas nenhum amor se compara àquele.

Dia desses fui dormir, mas antes dei uma olhadinha para a caixa. Para a minha surpresa, sua tampa estava tremendo. O amor estava vivo, vivíssimo, quase que transbordando. É evidente que passei a noite em claro, com um nó na garganta, com uma vontade daquelas de destampar a caixa e deixar fluir, dar uma de louca e viver todas as possibilidades que havia ali dentro (aliás, louca eu seria por permitir isso ou louca eu sou por não fazê-lo?).

Porém eu não podia fazer isso. Eu não sou tão louca assim (volto a perguntar). E para fingir ter a paz que eu acho que estampo na cara, coloquei uma pedra de realidade bem pesada sobre a tampa da caixa. Sinceramente não sei até quando a pedra vai conter o amor que eu tenho, que não soube matar e que tento esconder.

Eu ainda revisito a caixa. Disfarço bem, pareço até feliz!

(Realidade alguma pode me impedir de tremer inteira quando vejo você na rua.)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Recado




Não, eu não faço questão de ter nas mãos a última palavra
Ao contrário
Prefiro começar falando e me abrindo,
célula a célula, sonho a sonho, dor a dor
Não, eu não quero suportar essa pressão
Eu não sei acertar sempre
e confesso que sofri demais com as tuas palavras,
caindo feito bombas coração adentro
E até bem pouco tempo atrás eu as escutava reverberando aqui, no peito
mas optei pelo risco, ele me parece mais certo
Não vou abrir mão do que eu acredito,
Não posso contradizer o que diz a minha alma,
Se eu quebrar a cara, não será a primeira vez...
e a dor da cara quebrada nunca me deu medo
Você sabe que eu vou me jogar precipício abaixo
todas as vezes em que a vida me der essa opção
Por isso,
Não vou me permitir arriscar assim...
Não vou trocar minhas lutas diárias pela calmaria
Calmaria me dá enjoo... você bem sabe disso...
Então fica assim... você torce pela minha felicidade
E eu vou aparando arestas, treinando para acertar o tom
Talvez eu me canse, talvez eu descubra que sou feliz ...

É... eu não queria,
mas fiquei com a última palavra nas mãos...


Perdão.