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domingo, 4 de setembro de 2011

Amor Defeito

Dizer "eu te amo" está na boca de todo mundo e essa constatação já tornou-se senso comum, quase que um clichê. Nesse mundo frívolo e medíocre em que vivemos, de belezas artificiais e efêmeras, de palavras sem palavra, de pessoas descartáveis, o amor perfeito no conceito delas, sequer chega a ser amor. Chamam posse de amor, tesão de amor, conveniência e tantas outras coisas de amor. Mas, no calor do dia-dia, esses sentimentos se revelam e o que fica é mágoa, ressentimento, frieza, não amor. Nesse mundo do amor perdido, bem-aventurado é aquele que ganha da vida um amor de poeta! Amor de poeta é daqueles raros, raríssimos, irrepetíveis, que só se ganha uma vez.
 
"Sei como dói meu amor de poeta: se vê linha reta, quer logo entortar."
 
Amor de poeta é aquele que vem deitado sobre a paz, que dá segurança e tudo o que ele quer é a riqueza das coisas mais simples. É o amor descrito na Bíblia: ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Ele foge da sedução, da erotização, da traição, da mentira. 

Ele tem sede de se dar, de se fazer perceber em cada gesto, ainda que silencioso.

O coração se felicita só de olhar, só de estar perto, a plenitude de felicidade vem só de ouvir a respiração do outro. A vontade é de querer se jogar na frente de quem se ama sempre que uma dor se lança em sua direção. O amor de poeta quer poupá-lo, quer abraçá-lo e livrá-lo das decepções da vida, sempre.

O amor de poeta é simples, ama as coisas simples, promove as palavras simples, os olhares simples, os gestos simples que, na essência, são nada simples. E apesar de toda a sua simplicidade, amadurecer um amor de poeta é difícil, por isso ele é raro, não germina em qualquer coração. Até que brote essa espécie de amor, muitas experiências frustradas são vividas, muita dor é sentida, mas nada é desperdício. Ao contrário, faz parte do processo de gestação de amor de poeta essas dores, frustrações, infantilidades e até mediocridades. Ao nascer, essa rara espécie de amor transforma o mundo, o semblante, o astral e os objetivos almejados pelo coração-berço. 

Esse sentimento caro não pode ser entregue a qualquer um. Para receber essa espécie de amor, há de se ter um coração diferente, nascido em uma alma grande, movida por sonhos nobres e intenções honrosas mas, o coração deve ser, sobretudo, simples. Simples para notar o amor que se aproxima, com toda a sua riqueza de simplicidades, simples para receber a sua força, mesmo que em silêncio, de perto ou de longe, em momentos felizes ou tristes. 

O amor de poeta é incapaz de trair. É incapaz de mentir. Ele é cúmplice e empático, se coloca no lugar do outro o tempo todo. O amor de poeta se expressa com os olhos, nem tanto com as palavras. Se expressa com os pequeninos gestos, nem tanto com os grandes. Por isso exige um coração atento. 

O amor de poeta não quer representar a beleza incontestável, não tem apelos sexuais, não almeja a forma perfeita, não. Esse raro amor reconhece seus defeitos e todos os outros de seu amor e não se ressente por isso, talvez resida nisso a sua perfeição.

Amor de poeta só tem duas preocupações: fazer a felicidade de quem se ama e ser para ela a melhor companhia nesse mundo de amores perfeitos criados em série.

Bem-aventurado é aquele que ganha de Deus um amor de poeta para viver, cuidar e ser amado! Poucos são os que o percebem, raros são os que o têm, caros são os que o vivem!


Musiquinha:
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