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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dois Atos a Quatro Mãos



Tenho aqui dentro aquela música que fica tocando,
tocando, tocando…
Às vezes ela para, faz silêncio
Quero eu mesma tocá-la, mas não tenho a partitura
Tudo o que eu quero é tocá-la, ouvi-la, senti-la, pertencê-la
Mas não a sei de cor ainda
Então falo minha própria palavra,
seca, sem expressão, sem direção
Palavra triste, que arranca a pele da minha alma,
Que a faz sangrar,
Que te traz aqui, que te põe de frente pra mim,
Que me abre os olhos para te ver, em todos os detalhes
Que me faz sentir saudade do que ainda não chegou,
Mas que eu sei, é felicidade
Sinto o sonho cada dia mais próximo a mim,
Ainda assim me entristeço
Não sei bem por quê, mas me entristeço
Os dias passam, eu estou sempre no automático
Só me dou conta de que ainda não sou feliz
Quando as pilhas da alma acabam e a música para
Então tenho que cantar para mim mesma
E canto as letras mais tristes,
porque sou movida por essa saudade
Saudade de ti,
dos teus olhos que sequer sabem da minha existência
e que me atraem tanto para mergulhar em tua essência
Saudade de ti,
que carrega no coração a partitura da música que me move,
A melodia pela qual eu busco todos os dias
Canto por ti, canto por tua vida,
Canto pela vontade da tua vida na minha
Canto a letra que compus para teu coração
e que estás a procurar,
Canto a trilha sonora que ainda falta em teu argumento
Mas quando nos encontrarmos
Ah, quando nos encontrarmos!
Teremos felicidades, tons, brilhos, cenas, luzes e sons
Eu pertencerei à música que tens em teu coração
e tu pertencerás ao meu enredo, que ainda é triste
A partitura e a palavra se encontrarão, a obra ficará completa!
E silêncios… silêncios existirão somente nas pausas,
Entre nossos acordes felizes,
nossas cenas tão esperadas
e as fermatas da nossa perfeição.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Nascida na Poesia


Sempre ouço aquela máxima: “eu não quero palavras, eu quero atitudes”. Meditando mais a fundo nessas palavras, descobri que discordo delas. Não! Eu discordo do significado delas quando estão juntas. Sim, discordo. No meu mundo, as palavras por si mesmas já são uma atitude. Escrevê-las a alguém, pronunciá-las... não se traduzem em [fortes] atitudes? Decerto que sim. É preciso o encorajamento da alma para permitir que as palavras saiam de dentro da gente e ganhem o espaço, seja em ondas sonoras ou em linhas: no papel, na tela de um computador, de um celular…


Tragam-me palavras! Não as evite, jamais as cale. Tragam-me palavras, muitas! Tragam-me boas palavras, cultivadas com cuidado, à sombra do desvelo. Expostas ao carinho, regadas na empatia, colhidas por amor. Tragam-me todas, encham os cestos com elas!
Pois no meu mundo, quem tem os olhos treinados a reconhecer a árvore que gera tais frutos, decerto é movido por um coração de atitudes raras. Na essência, palavras não são apenas palavras. Palavras são as raras atitudes, mas tão extraordinários são os que sabem isso!

sábado, 3 de novembro de 2012

Transgressora




Invasão de leis insanas atropelaram os corações
Mas cegos já estão os medos e surdo, o juízo
Os protocolos são idiotas
e as mentiras já não têm sentido algum
A civilidade irracional exige postura,
custa silêncio e uma conduta devota;
cala sonhos, arranca as flores
As atitudes e os tons
são declarados pelo padrão da moral, suicida
O impulso é condenado,
todas as formas de amar são ilegais
Transgressão:expressão da coragem,
o concreto da intensidade
Sim, os corações são livres
(embora não saibam)
Nesse império de robôs do amor
gritam as cores e as dores, os corajosos
Cantam alto a melodia da felicidade, os ousados
Nessa grande fábrica de condutas,
a mulher livre
apresenta flores mortas no andar de puritana
e oculta nos olhos toda a sua incandescência
Não revela suas muitas flores gozando vida
em sua alma de cigana
que não sabe de leis,
mas as transgride todas,
porque sabe amar.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pegaram o São Jorge pra Cristo




Ultimamente tenho evitado me envolver em assuntos polêmicos, mas vou me pronunciar acerca do tal boicote dos evangélicos à novela "Salve Jorge".

Na minha concepção é uma atitude parcial e, perdoem-me, mas chega a ser bobinha. Não, a palavra certa é "hipócrita". Sim, hipócrita. Cansei de ver dezenas de evangélicos aqui na rede (facebook) discutindo e apostando na trama da findada (e, para alguns, saudosa) "Avenida Brasil". Uma novela permeada de mentiras, traições, tragédias...

Mas "Salve Jorge" traz consigo o nome de um santo. Um santo guerreiro que, provavelmente, tem algum personagem (quiçá o principal) como seu devoto. Se eu acertei, saibam de antemão: eu não assisto a novelas, estou liberta disso há alguns anos, mas esse enredo é completamente previsível...

Voltando à "Salve Jorge", ela sendo intitulada por um nome de santo, ohhhhhhh!!! É idólatra? Diabólica? Permissiva? Oras, façam-me o favor, ela no mínimo está sendo honesta. É, honesta. É devotada ao santo sim, e daí? "Salve Jorge" com certeza trará em sua trama tantas traições, dissimulações, prostituição e decadência da família quanto "Avenida Brasil" e todas, todas as demais. A verdade é que toda novela enxerga um alvo nos valores da família, da verdade, da retidão.

Então, povo evangélico, se é pra boicotar, que seja uma postura séria e completa: boicote todas as novelas. Das três, das cinco, das seis, das sete, das nove, das onze... todas. Nome de novela não a isenta ou a culpa de nada. Se vai boicotar "Salve Jorge", boicote também a ingênua "Gabriela".

Perdoem meu desabafo, mas é que estou cansada de ser associada ao "povo evangélico". Cada dia mais me auto intitulo amiga de Deus. Assumir-me evangélica atualmente é duvidoso, às vezes até me envergonha. É que ser "evangélico" virou modinha e eu sou avessa a modinhas...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quero a Tua Riqueza para ser Feliz


Quantas entrelinhas cabem numa pequena atitude!
Enganam-se os que pensam que entrelinha é coisa de poesia e nada mais!
Palavras não precisam ser ditas para que sejam interpretadas
Silêncios não traduzem puramente a ausência do som
Carinhos não precisam ser fruto do toque, a intenção já os diz
Lágrimas não exprimem apenas a dor, mas o êxtase também
Quem nada faz, tudo pode perder
O pequeno gesto pode esconder um mundo!
Ouvir o coração é para os raros,
Deixá-lo comandar é para os sensíveis de alma e fortes na vida
Conquistar é surpreender
e para surpreender, há de se ter riqueza, muita riqueza!

De sutilezas, detalhes, tons e semitons…
…olhares, silêncios, cumplicidades sem fim…
...mimos, carinhos, docinhos, paz...

Porque a vida se perde num piscar de olhos,
um segundo muda tudo
Racionalizar o amor não faz sentido,
Amor é pra ser vivido e fim
E se me perguntares o que anelo ter
Ora, lhe direi sem pestanejar:
Da tua vida quero a riqueza!
A riqueza das entrelinhas,
Da poesia que não é dita, é sentida.
Da música que une,
dos olhares que selam meu coração ao teu a cada vez que pousas os olhos em mim…
Quero o pouco que sobrepuja o todo
Quero o que não percebem e me faz viver
Detalhes, nuances, sutilezas e entrelinhas…
Quase que imperceptíveis, mas avassaladores!!


domingo, 7 de outubro de 2012

Sob efeito da Dor

http://www.youtube.com/watch?v=52Bk-iMtBoU


Ah, se essa dor se desviasse do meu caminho
Se meu coração se esquivasse dessa dor,
Que vem tão feroz em minha direção,
Que me abraça, ainda que eu a rejeite,
Que me sufoca o grito de socorro, em seu peito congelante
e me rouba até as lágrimas.
Não, não consigo chorar,
apenas sinto todo o aperto e a dor.
A dor de uma saudade de quem ou daquilo eu nem sei,
Uma insatisfação com toda a realidade à minha volta
Uma angústia exasperante que me toma inteira
A vontade de um amor que eu não sei por quem
Essa dor avassaladora sem escrúpulos ou medidas
Atropela tudo, cega meu coração e o aperta, sem piedade
Há o que possa tirar-me deste fim?
Há o que possa livrar-me desta ausência de amor,
dessa sobra de dor?
Há quem virá abraçar-me, atrair-me em certezas?
Há quem me prenderá no profundo dos olhos,
sem intenções de escravizar-me?
Não sei.
Ah, se essa dor se desviasse do meu caminho
Se meu coração se esquivasse dessa dor,
Mas ele não me quer, ele não me ama
Ele me trai e se joga intensamente, em direção a ela,
a ela que vem e me rouba de mim mesma.
Estou com a alma indiferente à vida,
Mas se eu chorasse, alguém ouviria?
Decerto que não.
E nem a dor passaria.
Ela invadiu-me como uma injeção na veia
E ficará viva em mim por toda essa noite,
que acabou de começar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Poesia em Tom Menor




 Se ao menos com as palavras
 ainda sou livre,
 com toda licença poética:
 hoje é um dia ‘invivível’...
 sim, está impossível realizar esse dia.
 Ontem
 Fui criança boba
 Nem percebi que te magoei
 Mas agora eu sei e tenho medo
 Um medo do tamanho do meu amor
 Estou tão pequena,
 Encolhida e prostrada sobre a nossa flor
 A flor que nasceu para enfeitar os nossos dias
 Hoje
 Não há sinos, não há luzes
 Alcancei a exaustão, estou cansada de chorar
 Sou somente uma grande dor
 E já não sei como te provar que é amor
 Amor que te fez o escultor
 De meus pensamentos perfeitos
 Mas ainda não compreendes
 Teu talento em minha arte
 E tua incompreensão me arranca a pele
 E me expõe ao frio.
 Acordei e ainda não acredito
 Acordei dentro de uma poesia,
 De uma poesia que é triste
 Que fala da dor
 Da dor que não é metáfora,
 Mas da dor que dói;
 Acordei sem inspiração
 Não encontro uma frase, um fim
 Para os versos dessa minha tristeza poética
 Aqui tudo chora, tudo morre
 (se não morre, se mata)
 tudo é deserto, tudo é incerto
 não me lembro de ter morrido assim;
 Sem saber
 Te revelaste o compositor de mim
 Em tuas mãos
 Fui tom maior lindo e vibrante
 Mas em tua liberdade de compositor
 Hoje me fizeste tom menor
 Triste, sustenido, dissonante.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Orgulho



Acordo de um sonho quente e desço meus pés ao chão gelado
Noite fria, madrugada intensamente silente
O coração anseia o velho calor, mas ela me escapa cada dia mais
Era tão previsível, mas hoje nada entendo
Tenho músicas, lembranças e vontades,
O que fazer com elas?
A quero de novo,
essa, essa daí que renasceu,
Que se doa e some
Que se importa e se lixa
Que se mostra e se esconde
Em gestos que não posso prever,
Em palavras que jamais esperava ouvir,
Em tons vibrantes e em silêncios inauditos
Ela conseguiu fazer-se novidade
E agora me consumo de vontades
Enlouqueço no meu medo, no meu orgulho,
No meu mundo tão afinadamente entediante
Piso nesse chão gelado, que é o solo da minha vida
Mas meu coração ainda é quente
Quando não aguentar mais, a procuro.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Olá, inferno!



 Olá, inferno! Eu voltei!
 E estou muito pior
 Que das outras vezes
 Sou um poço de água infectada
 Uma fila de doentes
 Sou a colônia espoliada
 A fuligem na garganta
 Hoje
 Mais uma estrela do meu céu foi apagada
 E era a mais querida, a maior delas
 Envelheci alguns anos nesta manhã
 O sol está posto, mas eu sinto frio
 O meu coração está gelado
 Hoje
 Sou a potência arrazoada pela guerra
 Dentro de mim
 Há corpos caídos, há um choro distante
 Ruínas, destruição, silêncio...
 Mentiras são bombas,
 Desmoronam os sonhos
 Maledicência é a morte,
 Cala os acordes
 Injustiça é veneno
 E sequer pude me defender
 Tive os olhos vendados,
 Não pude ver o tamanho do meu opressor
 Apenas me enxotaram do Paraíso,
 Como a um cachorro ferido
 Eu voltei, inferno
 Voltei com a grande estrela nos braços
 E por ela eu ainda choro
 Voltei mais envelhecida,
 Voltei cansada, precisando de cuidados
 Mas sei que ninguém cuidará de mim
 Estou muito pior que das outras vezes
 Estou exausta...
 ... vim para morrer mais cedo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Temperos, Entrelinhas e Timbres





Um prato maravilhoso, um poema belíssimo, uma música de chorar… O que essas coisas têm em comum? Elas são resultados de escolhas e de habilidades. E de sensibilidades. E de intuições…

Um prato maravilhoso não passa de uma combinação de ingredientes, assim como um poema belíssimo não passa de uma combinação delicada de palavras, assim como uma música de chorar não passa de uma combinação intuitiva de acordes…

A vida é um conjunto de escolhas. As pessoas são resultados de suas escolhas. 

Escolher a roupa que vai ser vestida, escolher por qual caminho passar… escolher a temperatura das palavras a serem ditas, escolher o sabor que quer sentir nas situações vividas… escolher as pessoas que irão permanecer na nossa vida e as que dela serão banidas…  escolhas… das mínimas às decisivas, tudo são escolhas, o tempo todo, escolhas.

E a gente escolhe tanto se quer ter tempero, se vai possuir ricas entrelinhas e lindos acordes quanto escolhe que tipo de comida vai comer, poesia vai devorar e a que música vai se entregar…

O coração humano é uma obra-prima, assim como um prato de comida, uma poesia ou uma música. Entretanto, há pessoas que não têm tempero, são como comidas insossas. Há pessoas nas quais não cabe o mínimo de subjetividade, são rasas. Há pessoas desafinadas, não passam de músicas inexpressivas…

Então, há ocasiões em que fazer jejum, fechar os olhos e mergulhar no silêncio são a escolha mais inteligente. Isso pode até parecer solidão, mas acredite, não é! 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Simples e Hoje




Para amar de verdade não basta prometer amor eterno
nem jurar a vida ou a própria morte
Amar é simples e hoje
É preocupar-me se você está bem,
se já almoçou, se descansou
É pensar em sua saúde,
se você está animado e até se bebeu água
É acordar no meio da noite fria
e pensar se você está aquecido
_ou te cobrir
Amar é cuidar de suas roupas, de sua aparência
é rir, carinhosamente, ao te imaginar acordando,
tropeçando naquele tapete da copa
e, já no banheiro, ainda sonolento,
lavando o rosto, se barbeando, escovando os dentes
Amar é deixar a sua toalha à mão
É te lembrar dos seus compromissos
É querer o bem da tua família
É te desejar dias prósperos e de sucesso,
te livrar de um telefonema indesejado,
levar para você a tua caneta preferida,
colocar as almofadas do jeito que você gosta
É antecipar-me às suas vontades e prioridades
e, de vez em quando, provando a nossa sintonia,
completar as tuas frases junto com você.
Amar é providenciar o que você precisa,
mesmo sem saber que precisa
Amar é chorar de saudade ou de felicidade
é pressentir e sofrer sem saber bem o por quê
amar é assim... ... é o acordar, o pensar, 
o proteger, o resolver problemas, o se dedicar
E desse cotidiano sim,
fazer a eternidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Abraça-me



Puxo o ar, mas ele não vem
Esse dia está cheio de vazios
O silêncio grita que me falta algo
Os sonhos estão congelados,
À espera do sol da esperança
Que lhe devolva movimento e vida
Minha força me agride,
Hoje preciso render-me
Mas a dúvida se agiganta, a fé se esfarela
Essa tristeza misturada ao meu sangue
Correndo lentamente por minhas veias
Acelerando minha dor e a lentidão desse dia,
Desse dia cheio de vazios…
Se nesse dia ganhasse um abraço,
Decerto me desfaleceria.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Atração de Almas




O cotidiano mais rotineiro da semana.
Em meio a palavras comuns,
a plenitude de um encantamento;
o imprevisível tornou-se inevitável.
Foi, então, que consegui ler a solidão infinita
que, como um enigma, em teu olhar triste,
trouxe dor à minha alma.
Teus olhos pedem-me colo,
teu sorriso é um apelo de carinho.
Corpo e alma com sede, sede de amor,
sede do toque, da cumplicidade,
da simbiose.
O que te agride, me fere.
O que te felicita, me dá paz.
A tua tristeza me abate
como o espelho e seu reflexo,
como a ação e a reação.
Quantos passos separam-me de ti?
Quanto falta para tocar-te?
Deixa eu ir...
... teus olhos me procuram,
dizendo que me desejas.
Deixa eu ir...
... já não posso mais parar,
A tua alma atrai a minha.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Nada mais Importa




Perdi o medo do fogo
Estou indiferente ao que já fez diferença
O dia findou, nem percebi,
mais um que não vivi.
Perdi o medo do escuro
e a poeira tomou conta de tudo.
A música desafinou,
a vida viajou e eu fiquei para cuidar de mim.
Perdi o medo do novo
falar no fim já não me assusta.
Perdi o medo da altura da ponte
O rio transbordou;
o coração foi inundado,
ainda assim morre de sede.
Água suja e doente
foi o que restou para beber.
O leite secou:
ao filho já não posso amamentar.
A flor murchou
ficou um trapo desbotado sobre a terra.
Sofrer é o de menos
Perdi o medo de perder.

domingo, 1 de julho de 2012

Nunca e Sempre



Essa sensação é estranha e nunca foi trazida à luz
Não tem sentido, não requer explicação alguma
Mistérios da alma são postos para serem vividos e fim
Nunca te vi, nunca te soube
Na arte de escrever e de derramar os sentimentos em palavras
Nossas almas se tocaram, sem precisar de serem apresentadas
Nesse espaço intangível elas passearam, se mostraram
Brincaram de trocar sentimentos, vontades, anseios, medos
Mostraram suas cicatrizes e os piores pesadelos
Nunca te vi, mas agora já te sei
Já reconheço a tua voz, já sei o que motiva a tua canção
Conheço o caminho que lhe conforta,
Entendo os enigmas que escondes nos olhos,
Estes, que ainda não vi, mas que conheço bem…
Em teus braços trazes a paz de não ter que me explicar,
De ser lida com a facilidade de quem cria uma poesia
De não precisar compreender, apenas aceitar
Que apesar de nunca tê-lo visto,
Sempre estive à sua espera.

sábado, 16 de junho de 2012

Fingindo estar Viva


"Ter medo da mediocridade"



A exaustão me possui inteira
Essa vida meio cheia de nada, meio vazia de plenitude
deixa minha alma nauseada, fatigada
de tanto querer, de tanto buscar.
Anseios sem respostas,
Desejos frustrados
São vontades demais para realidades de menos
Sinto-me profunda demais para convívios tão rasos
Impaciente demais para todo esse quase nada
Falta o sentimento avassalador
Falta pulsação
Falta chão
Exaustão
Tudo é frieza, tudo é comedido
Tudo é resto e isso é nada
Eu grito pela vida, estendo a ela as minhas mãos,
Mas ela se retrai, desconfia
Não sei até quando essa vidinha pela metade
Vai se repetir, se insistir para mim
Há pedaços meus intocados,
Há vontades caladas,
Há gritos inaudíveis
Vida pela metade é morte por inteiro
Morte não é vida
E o que sobra é exaustão
A cada dia, menos vida fica aqui
Quero amar,
Mas o amor se esconde
Quero viver,
Mas a vida não se permite
Minha alma se enoja porque
viver pela metade ela não sabe,
tampouco quer aprender.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Sentimentos Paralelos


Por: Ronald Mignone e Ludmila Clio

Ainda que eu de novo me doe
A dor que me rasga não sai
Teima em não deixar-me
Serei eu prisioneiro da dor?
Até quando ficarei aqui,
Refém de tempos frustrados?

Agora inebriado pela falta,
Perdido em meio a tantos pedaços,
Inteiro é o vácuo, enorme no peito
Fico daqui, olhando fixo, para o nada
Alheio a ofertas frívolas…

E entram dias, caem noites
Há sóis, há chuvas e às vezes, estrelas
O relógio dá mil voltas,
Eu não me movo
A dor não passa
Ainda que eu de novo me doe
E de novo, e de novo…
A solidão me é companhia fiel

Adoeço por ser tão exigente.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tanto faz




E a história que nem passou por nós direito ainda, pra onde é que foi?


Quando tudo foi muito perfeito,
Veio a bomba e dissipou toda perfeição

Ainda estamos tontos e anestesiados
Amor é via de mão dupla
Amor quer verdade o tempo inteiro
E respostas também
Amor quer certezas e chão para pisar
Esse silêncio que ora vivemos,
Faz-me muito mal,
Deixa-me sem saber se devo ir, se devo estar.
Ter que conter toda essa explosão dentro de mim,
Ter que conter as vontades e os impulsos,

as certezas, as verdades, promessas leais tão recentes...

implodir sempre,
Isso vai além das minhas possibilidades
Quando a única estratégia que resta
É a de, tão somente esperar,
Quando não há nada mais a fazer,
Vem um vazio que toma conta de tudo em mim,
Que leva a minha alma ao coração da saudade

que me faz duvidar de tudo aquilo que juramos,

afinal, juntos, éramos invencíveis!
Não posso enxergar pelos outros,
Não posso ter coragem pelos outros,
Não posso responder a mim mesma no amor,

e se te fazes silente, posso compreender mil coisas...

Ofereço colo, palavras, coragem, carinhos
Ofereço força, paz, sonhos, cumplicidade
Mas nada disso cabe agora nesse cenário bombardeado
Talvez estejas esperando que eu me cale,
Melhor ainda: que eu desista!
E talvez eu o faça.

Mas não quero pensar nisso agora.
O que nos resta é esperar,
Desacelerar o coração,
Adiar as vontades e encaixotar os sonhos, um a um…
Não sei como fazer caber esse sentimento vivo, de força avassaladora,
Numa caixa de respostas sociais
Será que vou aprender a não esperar nada?
Será que vou aprender a ignorar a tua presença?
Será que vou aprender a ignorar a tua ausência?
Será que vou aprender a conviver com lembranças?
Será que vou aprender a desamar?
Preciso me esvaziar de todo meu sangue para livrar-me de ti,

desse amor sanguíneo
É, coragem assusta quando não vem da gente…





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Desbotou...




Os laços de cetim que nos uniam
são como arames farpados perfurando meus pulsos.
Tuas mãos a me tocar
são como pregos rabiscando minha pele.
Quando me beijas,
sinto cacos de vidro ferindo meu rosto.
Nosso palácio encantado ficou mal-assombrado.
Nossos cachorrinhos já não me reconhecem e,
como lobos famintos, me atacam.
Teus presentes já não me compram.
Em tuas palavras eu não presto mais atenção.
Tua respiração me cansa.
Tua existência me ofende.
Parece que chegamos ao fim...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fina camada de gelo


Entre a metade e o nada, perdoe-me, mas opto pelo nada. (Ludmila Clio)


Liberdade assim eu não quero
Liberdade assim é espremida demais:
não cabem os meus sonhos
Pois tenho sonhos de carinhos extremados,
de palavras doces na manhã de quarta-feira,
Tenho vontades de gentilezas e de simples surpresas
Sonhos de desejo, de olhares antropofágicos
Tenho sonhos de despertar certos medos,
tênues inseguranças...
Não!
Essa liberdade além de espremida
É segura demais
Não há inesperados, não se correm riscos
(daqueles que rejuvenescem a alma)
E essa realidade não é a preferida:
há mil planos antes dela...
Minha voz não é especial
Meu carinho é sufocante
E a vontade de ficar junto tem tom de desespero,
 é quase um pedido de esmola...
Bem que poderias enobrecer a tua alma
E me trazer vida, vida de verdade...
Mas
Se vamos continuar nessa solidão a dois,
É melhor que vá embora
E leve contigo essa liberdade nauseante
Mas antes, num ato heróico,
Quebre os grilhões
 que me mantêm acorrentada a ela
e derreta esse gelo com um caloroso adeus.