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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Olá, inferno!



 Olá, inferno! Eu voltei!
 E estou muito pior
 Que das outras vezes
 Sou um poço de água infectada
 Uma fila de doentes
 Sou a colônia espoliada
 A fuligem na garganta
 Hoje
 Mais uma estrela do meu céu foi apagada
 E era a mais querida, a maior delas
 Envelheci alguns anos nesta manhã
 O sol está posto, mas eu sinto frio
 O meu coração está gelado
 Hoje
 Sou a potência arrazoada pela guerra
 Dentro de mim
 Há corpos caídos, há um choro distante
 Ruínas, destruição, silêncio...
 Mentiras são bombas,
 Desmoronam os sonhos
 Maledicência é a morte,
 Cala os acordes
 Injustiça é veneno
 E sequer pude me defender
 Tive os olhos vendados,
 Não pude ver o tamanho do meu opressor
 Apenas me enxotaram do Paraíso,
 Como a um cachorro ferido
 Eu voltei, inferno
 Voltei com a grande estrela nos braços
 E por ela eu ainda choro
 Voltei mais envelhecida,
 Voltei cansada, precisando de cuidados
 Mas sei que ninguém cuidará de mim
 Estou muito pior que das outras vezes
 Estou exausta...
 ... vim para morrer mais cedo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Temperos, Entrelinhas e Timbres





Um prato maravilhoso, um poema belíssimo, uma música de chorar… O que essas coisas têm em comum? Elas são resultados de escolhas e de habilidades. E de sensibilidades. E de intuições…

Um prato maravilhoso não passa de uma combinação de ingredientes, assim como um poema belíssimo não passa de uma combinação delicada de palavras, assim como uma música de chorar não passa de uma combinação intuitiva de acordes…

A vida é um conjunto de escolhas. As pessoas são resultados de suas escolhas. 

Escolher a roupa que vai ser vestida, escolher por qual caminho passar… escolher a temperatura das palavras a serem ditas, escolher o sabor que quer sentir nas situações vividas… escolher as pessoas que irão permanecer na nossa vida e as que dela serão banidas…  escolhas… das mínimas às decisivas, tudo são escolhas, o tempo todo, escolhas.

E a gente escolhe tanto se quer ter tempero, se vai possuir ricas entrelinhas e lindos acordes quanto escolhe que tipo de comida vai comer, poesia vai devorar e a que música vai se entregar…

O coração humano é uma obra-prima, assim como um prato de comida, uma poesia ou uma música. Entretanto, há pessoas que não têm tempero, são como comidas insossas. Há pessoas nas quais não cabe o mínimo de subjetividade, são rasas. Há pessoas desafinadas, não passam de músicas inexpressivas…

Então, há ocasiões em que fazer jejum, fechar os olhos e mergulhar no silêncio são a escolha mais inteligente. Isso pode até parecer solidão, mas acredite, não é! 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Simples e Hoje




Para amar de verdade não basta prometer amor eterno
nem jurar a vida ou a própria morte
Amar é simples e hoje
É preocupar-me se você está bem,
se já almoçou, se descansou
É pensar em sua saúde,
se você está animado e até se bebeu água
É acordar no meio da noite fria
e pensar se você está aquecido
_ou te cobrir
Amar é cuidar de suas roupas, de sua aparência
é rir, carinhosamente, ao te imaginar acordando,
tropeçando naquele tapete da copa
e, já no banheiro, ainda sonolento,
lavando o rosto, se barbeando, escovando os dentes
Amar é deixar a sua toalha à mão
É te lembrar dos seus compromissos
É querer o bem da tua família
É te desejar dias prósperos e de sucesso,
te livrar de um telefonema indesejado,
levar para você a tua caneta preferida,
colocar as almofadas do jeito que você gosta
É antecipar-me às suas vontades e prioridades
e, de vez em quando, provando a nossa sintonia,
completar as tuas frases junto com você.
Amar é providenciar o que você precisa,
mesmo sem saber que precisa
Amar é chorar de saudade ou de felicidade
é pressentir e sofrer sem saber bem o por quê
amar é assim... ... é o acordar, o pensar, 
o proteger, o resolver problemas, o se dedicar
E desse cotidiano sim,
fazer a eternidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Abraça-me



Puxo o ar, mas ele não vem
Esse dia está cheio de vazios
O silêncio grita que me falta algo
Os sonhos estão congelados,
À espera do sol da esperança
Que lhe devolva movimento e vida
Minha força me agride,
Hoje preciso render-me
Mas a dúvida se agiganta, a fé se esfarela
Essa tristeza misturada ao meu sangue
Correndo lentamente por minhas veias
Acelerando minha dor e a lentidão desse dia,
Desse dia cheio de vazios…
Se nesse dia ganhasse um abraço,
Decerto me desfaleceria.