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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Mulher D, de Desafio*


 
(*Fui autorizada pela minha prima, também escritora,  Thuany Barbosa a usar esse título, que é dela!)   

Eram tantos à sua volta, que ela se considerava uma mulher socialmente bem relacionada. Havia os ex colegas da faculdade, que volta e meia a convidavam para sair e tomar um chopp, havia também os ex colegas do emprego anterior e os do emprego atual também.

Na era digital, também havia os colegas virtuais, que a cortejavam às vezes in box e tantas outras vezes, na timeline mesmo, na cara dura, pra quem quisesse ler: "vc é linda!" ou "nossa, que sorriso perfeito" ou ainda: "meo Deos! Lindíssima!" e por aí seguiam os galanteios.

Havia as amizades coloridas também, aquelas situações em que não se sabe bem o que são; um dia, pegava na sua cintura e a beijava na cabeça; noutro dia, a acordava com um telefonema de voz cheia e gostosa, lhe desejando bom dia. Daí o cara sumia e ficava dez, quinze, vinte-e-dois-dias-sem-dar-o-ar-da-graça, vai entender! 

Ela estava sozinha e poderia estar com quem quisesse estar. Sim, era do tipo mulher poderosa. Só não tinha consciência disso. Ela mesma a impedia de viver muitas histórias, mas fora essa autossabotagem, ela poderia sim, estar com quem quisesse estar.

Passaram dias. 
Passaram semanas.
Passaram meses.
Até anos.

E ela levava tudo _e todos_ na brincadeira. No fundo, não acreditava que nalgum daqueles galanteios existia verdade. 

Se era bonita? Sim, era. Mas quem a faria acreditar nisso? Não, nem o espelho conseguia. Não que ela se achasse feia, mas não, não! Digna de tantas admirações explícitas, definitivamente não! Em seu pensamento, os homens só queriam sexo e para isso, a chamariam de princesa e o escambau pra conseguir levá-la pra cama. Por via das dúvidas, melhor que encarasse tudo com esportiva, no bom e velho fair play.

Os seus admiradores pareciam não se incomodar com sua atitude _ou falta dela. Talvez no fundo, sabiam que não tinham mesmo chance alguma com ela. E pareciam contentados com isso, com sua convivência, com sua presença e tal.

Um dia, porém, ela foi golpeada pelo destino, da melhor maneira em que o destino golpeia alguém. 

Ela conheceu um carinha aí, que não tinha muito daquilo que ela listava como "imprescindível" para conquistá-la. Ao contrário, ele tinha alguns atributos que ela dizia jamais admitir em alguém para relacionar-se. Não se tratava de caráter, mas de critérios que ela supunha importantes _coisa que, na real, toda mulher tem.

Talvez residisse justamente nesse confronto a sua atração.

Sim, ela era daquele tipo que precisava de um desafio para sair do pedestal [ou seria da inércia?].

Olhou para ele. Olhou para sua listinha de exigências. Olhou para ele de novo e para sua listinha. Não, ele não cabia nas exigências dela. Em outros tempos, ela o descartaria e continuaria asséptica em sua redoma de vidro, mas pela primeira vez, não o fez. 

Ainda deu uma última olhada para sua listinha e para ele e, ao invés de desprezá-lo, embolou a listinha, a atirou na primeira lixeira que viu e sorriu, maliciosamente. Será que, finalmente, ela havia compreendido que alguém que, definitivamente, não se encaixava em seus padrões era, de longe, o maior de todos os desafios de sua vida?

Respirou fundo, resolveu pagar pra ver, como sempre fazia quando se sentia desafiada. Estava fascinada com a ideia de estar com alguém inesperado, imprevisto, um verdadeiro improvável. Sim, ela decidiu que ele seria o maior de todos os desafios de sua vida até ali e ela estava adorando essa ideia!

Quando porém mergulhou nessa experiência deliciosamente imprevisível, notou que seus colegas, aqueles ex da facu, ex do antigo emprego, os admiradores virtuais e até os amigos coloridos, todos ficaram profundamente ressentidos com ela. A princípio, ela não entendeu nada, mas depois, a ficha caiu e ela finalmente compreendeu que por trás de todas aquelas brincadeiras, por trás dos chopps inocentes, das cantadas online, dos telefonemas de bom dia e abraços sem interesse, havia sim, muito mais que o desejo de levá-la para a cama uma _ou algumas vezes. Caramba, só agora ela estava entendendo que não era somente um alvo sexual de seus "colegas", mas alvo de paixões disfarçadas nessas convivências descompromissadas, que nem de "amizade" ela chamava. E agora todos estavam magoados com ela. Sentiam-se traídos.

Depois da confusão, porém, ela acabou foi rindo disso tudo. Estava abraçada ao maior desafio de sua vida e desde então, seu relacionamento com o espelho mudara drasticamente.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

My baby blue


http://www.youtube.com/watch?v=qbexOeoH5hg

Do trabalho, era uma das mais comunicativas. Com o poder de atrair pessoas, sempre estava cercada por elas. Na maioria do tempo, sorria. Sempre transmitia confiança. Pessoa assertiva, com grande poder de persuasão. Sabia andar muito bem, falar melhor ainda. Estava sempre atenta aos silêncios, aos gestos, aos hiatos deixados pelas pessoas. Olhava nos olhos. Sempre estava presente, sem estar de fato.

Naquele dia foi tudo normal assim. Brincou com as pessoas à sua volta. Conversou com pessoas que não conhecia, seu trabalho era esse. Notou a melancolia de um colega de trabalho, foi até ele saber o que se passava.

Fim de expediente, foi para o ponto de ônibus. Colocou seus fones de ouvido, ficou pulando as músicas do aleatório. Só queria ouvir Elvis e Aerosmith. Aliás, agora podia ouvi-los o quanto quisesse. Voltando para casa, embalada por suas vozes escolhidas, tentava sufocar sua voz interior, que insistia em lhe perguntar o porquê disso tudo. Faltava pouco mais de um mês pra acabar o ano e aquele ano estava sendo, de longe, o mais difícil de todos. Ano de mudanças bruscas. Ano de separações. Ano que provou-a que ela era muito mais forte que imaginava. Muito mais sozinha também.

Ia viajando nos acordes, prestando muita atenção na linha do contrabaixo. Sim, o grave do contrabaixo sempre a atraiu antes dos solos de guitarra. Ia prestando atenção em tudo o que via pela janela. Muitas luzes, alguns mendigos, estudantes voltando para casa, trabalhadores também. O mundo estava se recolhendo, para mais uma noite de calor.

Desceu do ônibus, rumou para casa. Com os fones bem acoplados aos seus ouvidos, sentia-se protegida dos barulhos externos, sobretudo, de seus barulhos interiores.

Ao chegar à portaria de seu prédio, tirou o fone do ouvido esquerdo e saudou o porteiro, que lhe retribuiu, sorridente. Cordialmente ela o perguntou sobre o placar do jogo que estava passando na sua pequena TV, sobre a mesa. Conversaram qualquer coisa nesse sentido, mas a partida que ele assistia não era a mesma a que ela queria saber. Claro, ela estava numa cidade diferente e lá os interesses eram diferentes. Mesmo assim, ela lhe sorriu e se despediu. Encararia alguns lances de escada até chegar ao seu apartamento.

Recolocou o fone em seu ouvido esquerdo e seguiu, lentamente, para as escadas. Lançou mão do verdadeiro silêncio à sua volta e decidiu não acender as luzes. Subiu no escuro e deixou as lágrimas contidas descerem. Aproveitou para chorar e chorou enquanto subia as escadas de seu prédio.

Ao parar na porta de seu apartamento, enxugou o rosto, guardou o fone na bolsa e sacou a chave. Abriu a porta e deu seu melhor sorriso para sua filha adolescente, que lhe esperava. Se abraçaram, ela perguntou à menina como fora seu dia. Conversaram, animadamente. Lancharam, riram.

Mais tarde, cada uma foi para seu quarto. A mãe acessou ao Facebook, curtiu várias publicações de amigos, comentou fotos, deu alguns conselhos in box, como quase sempre fazia. Indiscutivelmente, era uma mulher muito feliz, talvez até realizada! Uma autêntica fraude.

Quando, porém, a partida de futebol acabou e a cidade explodiu em fogos de artifício, novamente ela chorou. Nos intervalos da vida, ela era ela mesma. Nada além de uma garotinha triste.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Parece dom e é mesmo


O preço de ser forte é ser solitário
Gente forte é feito bicho desconfiado:
quer colo, mas afia as garras;
quer cuidado, mas não confia em quase ninguém
Gente forte é forte porque aprendeu a se virar sozinha,
desaprendeu a ser ajudada_ embora precise de ajuda
O ônus de ser corajoso
é nunca se dar o direito de desistir,
é exigir-se incansável ainda que haja tantas perdas pelo caminho
Gente corajosa destoa
Quer poupar a dor alheia com o maior abraço que for possível,
tem o amor mais forte que a própria força
e essa força assusta porque
gente comum não encara a vida,
gente comum desiste e para
O ônus de ser corajoso
é chorar madrugadas adentro
e enfrentar os dias com a armadura indelével,
sem ceder à amargura
e fazer as pessoas do seu convívio darem risadas, eis o desafio!
Gente forte é feito bicho arredio
que já sofreu demais e apanhou muito
Por isso não se entrega facilmente,
abre-se para as palavras
e tantas vezes as abraça e recosta-se nelas para dormir
O preço de ser forte é ser artista
Sorrir quando tudo por dentro chora
Representar a coragem quando o medo acontece
fascinando e assustando gente comum
implodindo a exaustão nas coxias da vida
Sua coragem não se mede pelos prêmios que conquista
Sua força reside na frágil docilidade,
na meiguice que não se contamina com o azedume dos derrotados
O ônus de ser artista é ser incompreendido:
Um ser tão forte que assusta
Tão verdadeiro que se isola
Tão cheio de amor que espera
Todo artista é um grande desafio
que só outro grande artista aceita.

As belas também choram

(Artigo publicado por mim na page do Copo de Letras dia 22.10.13)


Ela é linda. Eu diria perfeita.

Dona de um corpo escultural, de um sorriso indefectível. Quando ela passa, não tem quem não a olhe, seja homem _a cobiçando_, seja mulher _a invejando.

Hoje Grazi Massafera é um dos nomes mais pronunciados nas redes sociais. Não pela sua beleza, que chega a ser ofensiva, mas porque foi trocada pelo seu marido, por outra bela...

Dizem as redes sociais que Grazi deletou todas as suas fotos com seu (agora ex) marido, Cauã, coisa que todas nós _reles mortais_ um dia já fizemos. Dizem também que ela refugiou-se em sua terra natal, em busca do apoio familiar. Quem nunca?!

Se eu tenho alguma credencial para falar de beleza, arrisco dizer que ninguém está imune à dor. Sempre achei de uma superficialidade e frieza sem fim ouvir de tantas pessoas: "mas você é tão linda, não merece sofrer assim..."

Oi?!

Porventura sofrimento é exclusividade de gente não-linda?! Como se beleza fosse condição para não sofrer. Aliás, essa cobrança social de que as belas têm [que ter] vida de princesa é realmente fantasiosa e sem saber, agressiva.

Bom, não eu, mas que a Grazi seja o exemplo do que estou falando. Não adianta malhar o corpitcho se o cérebro continua flácido. Cumplicidade e relacionamento têm muito mais a ver com caráter que com chaves de belas pernas.

Lamento pela Grazi, sempre a vi ao lado de Cauã como o casal perfeito. Eles eram lindos juntos. No entanto, um deles não mereceu a devoção do outro. Não teve corpo, sorriso, curva, perfeição, sequer uma filha para mantê-los juntos.

Confesso que me é muitíssimo difícil imaginá-la de rosto inchado, no colo de sua mãe chorando a traição de seu esposo, mas no fundo eu sei que isso é possível sim, e como é! Ela é belíssima, perfeita, maravilhosa.

Mas é humana.

domingo, 10 de novembro de 2013

Mais um tom de criatividade





Não sou uma crítica literária, mas sou uma crítica. Não me aguento mais em silêncio, ao presenciar, diariamente o "efeito cinquenta tons de cinza" e então, eis-me aqui, gastando o meu latim ...acerca disso.

Depois da trilogia de E.L. James (Cinquenta tons de cinza, Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade), as editoras têm despejado no mercado uma avalanche de livros catalogados como "literatura erótica". Escritoras como Sadie Matthews, Sylvia Day, Megan Maxuell, Katie Ashley dispararam a escrever títulos (mui sugestivos) como: "Toda sua", "Irresistível", "Intenso", "Para sempre sua", "A proposta", "Peça-me o que quiser ou deixe-me ir" (oi?!), "Te esperarei por toda a minha vida" (só que não) ou os super criativos: "Chamas na escuridão", "Segredos na escuridão", "Promessas na escuridão", enfim, apagaram mesmo as luzes.

O mais ultrajante é que suas autoras só mudam um ou outro detalhe, mas em suma, tudo se resume em um cara lindo, podre de rico, mimado e egocêntrico e em uma mulher comum, de autoestima duvidosa, longe de ter uma beleza estonteante. Por algum motivo essas duas criaturas se esbarram: ele se interessa obcecadamente por ela _o patinho feio da história_ que não acha possível atrair um cara tão "deus" assim. Então ele, com todo o poder que o dinheiro pode dar a alguém a intima para uma conversa de negócios e a propõe sexo sem envolvimento. Ela se sente afrontada, reluta, mas aceita. Daí pra frente vêm os capítulos de narrações detalhadas de atos sexuais, do mais light ao mais exótico, perpassando por sadismo, masoquismo e humilhações, em jogos sexuais de regras muito definidas, detalhadas uma a uma em contrato.

Com o passar do tempo, o poderoso chefão (me perdoa, Coppola!) começa, por si mesmo a quebrar algumas regras, demonstrando _muito discreta e duvidosamente_ apego pela sua propriedade que, à essa altura, já está perdidamente apaixonada pelo seu dono.

O primeiro livro sempre termina com o casal separado, tentando entender o quê está havendo. No segundo livro, o playboy não se aguenta e vai atrás dela. Eles reatam, abrindo mão de muitas regras _o que ela agora impõe_ e eles sucumbem a algo mais parecido com um relacionamento convencional. Já o terceiro e derradeiro das trilogias... Ah, chega de dar spoiler. Se você (como eu) leu os Cinquenta Tons, já tem propriedade absoluta para falar sobre qualquer um deles.

Se essa mulherada de 40-50 anos (perfil das autoras) resolveu expor suas fantasias pro mundo inteiro ler, ok! No problem! Entretanto, duas coisas me decepcionam muito nisso. A primeira é a cara de pau das seguidoras de E.L. James em não se darem ao trabalho de criar uma narrativa diferente. Plagiadoras de carteirinha, registradas em cartório e com firma reconhecida, elas disputam deslavadamente quem é mais depravada ao escrever, basta abrir um de seus títulos em qualquer página para constatar suas baixezas (manuseie um livro desse com muito cuidado, pode emanar algo dele.)

A segunda coisa que me decepciona é a quantidade de mulheres que vão, diariamente, à livraria (trabalho numa) em busca dessa pornografia pobre, gentilmente catalogada de "literatura erótica". As mulheres chegam ávidas pelo próximo lançamento, na mesma proporção em que os homens vão atrás do GTA V ou do Call of Duty, lançado nessa semana.

Isso me dá uns nós na caxola e me faz questionar algumas coisas aqui, com meus botões, como: o quê, meu Deus, há de tão fascinante num homem de perfil arrogante, mimado, cheio de distúrbios psicológicos decorrentes da sua infância, que fazem dele um homem controlador, frio, que não quer se envolver sentimentalmente com ninguém? Que faz uma mulher assinar um contrato cheio de regras a serem cumpridas, incluindo absurdos como estipular a quantidade de comida que ela pode ingerir diariamente... (oiiiii?!)

Por que é sempre um cara extraordinariamente lindo e poderoso a se relacionar com uma mulher de beleza mediana? A pergunta é: esse cara existe?!

O quê as leitoras vorazes dos Cinquenta Tons _e seus milhares de semitons_ estão procurando?! (Não me digam "puro entretenimento" porque não cola.)

Qual é o sentido em ser atraída por esse tipo de domínio, que fere sua dignidade?!

E, o mais cômico de tudo: de todas as conversas confidenciais que já tive com minhas amigas, colegas de trabalho e tantas outras mulheres, posso dizer sem medo de estar exagerando, que pelo menos 7 em cada 10 mulheres adorariam ser procuradas sexualmente por seus parceiros tipo uma vez por mês (pra não dizer "por ano" ou "nunca"). A velhíssima desculpa da dor de cabeça ainda impera. Absoluta.

Então me parece no mínimo incoerente que mulheres tão desinteressadas sexualmente sejam consumidoras insandecidas de Christian Grey e seus pupilos.

Em suma, é patético ver tantas mulheres lendo sobre um assunto que, via de regra, elas nem gostam tanto assim (é óbvio que há exceções. Refiro-me à regra.)

Então a cena é essa: enquanto as mulheres devoram ferozmente as páginas da "literatura erótica" no quarto, os homens estão na sala matanto velhinhas e prostitutas no seu GTA. Fernando Pessoa, Eça de Queirós e Hilda Hilst empoeiram-se, abraçados, na estante e as cinquentonas desprovidas de criatividade _e cada vez mais milionárias_ continuam a escrever seus "romances eróticos" que mais parecem ficção fantasiosa.

C'est la vie!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pedras sob o Sol de verão


Podem tacar pedras: eu amo o horário de verão! 

Nesses dias que o antecedem, muitas pessoas estão mal humoradas, praguejando o novo fuso-horário, maldizendo o calor, que parece aumentar nesse período.

Ora, já aviso de antemão que em matéria de calor, sou expert. Nasci e cresci numa cidade verdadeiramente quente. Em meu Cachoeiro de Itapemirim, no mês de janeiro, faz 45 graus com sensação térmica de 50. À sombra. Então não tente me explicar o calor. Vai por mim, disso eu entendo.

Quando eu era criança e podia gostar do que eu quisesse gostar sem ter que me preocupar com o quanto isso pesaria em relação à opinião alheia, o advento do horário de verão era o prenúncio de que a melhor época do ano estava por vir. Estavam chegando as férias escolares, os dias em que eu poderia, enfim, dormir na hora em que eu quisesse e acordar ao meio-dia. Ou mais tarde.

Estava chegando dezembro: o mês fantástico em que toda a cidade se enfeitava para o Natal; as ruas ficavam lotadas, embaladas pelas canções natalinas, como nos dias de hoje. Só que hoje isso já acontece em outubro, o que desencantou dezembro e tirou dele tudo o que ele significava.

Depois chegava o tão ensolarado e esperado janeiro! Reveillon com a grande família, em Minas Gerais! Terraço lotado, expectativas, reencontros, amigo X, comida, causos e claro, os disputadíssimos canudinhos de doce de leite da vó Alice!

Depois eu voltava com os meus pais para o Espírito Santo e me casava com o mar. É indescritível a sensação do ar quente entrando pelas narinas, do mormaço sob o céu já estrelado, a pele ainda quente de Sol, cheia de sal e alguns tons diferente.

Eram dias de maratona de brincadeiras com meus primos. Dormíamos ao som do mar arrebentando nas pedras, como nossos corações, explodindo no peito, em completa ansiedade pelo próximo dia.
Janeiro voava. Daí inaugurava fevereiro. De volta à minha cidade, minhas ansiedades orbitavam em torno de qual capa de caderno minha mãe me deixaria escolher, de que turma eu seria na escola.

Então acabava o horário de verão. Já estávamos todos uniformizados, na rotina sem brilho. Não que eu não gostasse _amasse!_ estudar mas, irrefutavelmente, o encanto, por fim, havia acabado e tínhamos o ano inteiro pela frente...

Verdade é que todo mundo sente saudade de alguma coisa, de alguém e, esporadicamente, mata um pouco dessa saudade quando sente um cheiro, quando prova um gosto específico, quando ouve uma música, revê uma foto, revisita um lugar. Eu, no entanto, sou uma abençoada por poder aplacar as minhas saudades e reviver as melhores sensações da minha vida por 04 meses ininterruptos!

Nesses quase 120 dias de horário de verão, eu coloco os meus sonhos da infância no Sol, eu me reencontro com a menina sonhadora, faladeira e feliz que eu era.

O horário de verão é o horário marcado para o meu reencontro com meus pais, que hoje estão tão distantes de mim: mamãe, geograficamente. Já o papai, em todos os sentidos. Mas no horário de verão, estamos juntos! Caminho com ela pela praia, fico horas com ele aprendendo a mergulhar de ponta.

Nesse instante, à minha volta, é quase que uníssona a reclamação do calor. Eu acho graça. Nem está tão quente assim. Eu puxo o ar morno, com toda a força dos meus pulmões e, ao mesmo tempo em que sorrio, não contenho pelo menos duas lágrimas. Elas me lembram que eu posso sim amar esses dias quentes, sem me preocupar com as pedradas.

Por falar nelas, que atire a primeira pedra quem ainda acha que sou uma louca por isso. Continuarei amando apaixonadamente o horário de verão, ninguém vai apagar o Sol que brilha_ incandescente_ dentro de mim.

E seja muito bem-vinda, menina sonhadora, faladeira e feliz!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Decifra-me ou...



Quando desvio os olhos,
pode ser que eu esteja me comunicando
Quando eu sorrio,
tanto posso estar sufocando o choro,
como posso estar mesmo sorrindo
Quando me faço de muralha,
pode ser que eu esteja precisando de colo
E nem sempre que eu falo em amor, estou amando
Às vezes sinto saudade apenas enquanto escrevo
Não escolhi a poesia: fui por ela escolhida
Não sei viver de maneira exata, 
sou abstrata, respiro entrelinhas
Minh'alma é enigmática, mas decifrável.

Cuide bem do teu amor...



O amor excede as palavras.
Ele é declarado silenciosamente nas atitudes mais simples,
nos cuidados mais sutis. 
Zelamos por quem amamos acho que, por puro agradecimento 
Porque pessoas especiais transformam a importância de tudo em nossa vida, 
mudam o sentido das coisas, 
fazem do comum, o extraordinário. 
Pessoas especiais são raras 
e cuidar delas é um privilégio existencial. 
É sabedoria também.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pessoas desinteressadas [demais] estão ocupadas [demais]




Tive o primeiro namorado aos 14 anos. A maioria das minhas amigas já tinha beijado na boca e eu tinha curiosidade de saber como era.

Ele tinha 23 anos e, definitivamente, não tinha nada, nada a ver comigo. Mas, movida pela curiosidade e pelo status de ser uma pirralha de 14 anos tendo um cara de 23 interessado, parti pro primeiro beijo sem saber que ali eu estava inaugurando um relacionamento, um namoro.

Quando me toquei que estava "comprometida", fiquei desapontada. Por mim não precisaria de nada mais, afinal de contas, eu já havia provado o que eu queria.

[E acho desnecessário dizer que eu usava aparelho nos dentes, com borrachinhas verdes e amarelas no maxilar superior e azuis no inferior... É, o cara deveria estar mesmo muito, muito interessado... Ou seria desesperado?!]

Enfim, quando a ficha de que eu tinha um proprietário caiu [o sujeito era insuportavelmente ciumento], eu subitamente me tornei uma menina muito, muito estudiosa, de modo que, a qualquer hora do dia ou da noite em que ele me ligava ou aparecia na minha casa, minha justificativa para não poder conversar ou sair era irrefutável e louvável: meus estudos. Acima de tudo [e de qualquer suspeita].

Depois que eu me justificava por telefone ou pessoalmente, voltava a ouvir música, assistir televisão ou a fazer nada. Simplesmente não queria me doar a ele. Ele não sabia que eu só queria que ele fizesse parte de uma experiência pessoal e não que fizesse parte da minha vida!

Nosso "namoro" durou menos de um mês. Foram os dias mais dedicados aos estudos de toda a minha vida! Até que criei coragem e terminei. Era muita cobrança, muito ciúme, muita expectativa sobre mim, que só queria um beijo.

Muitos anos se passaram. De vez em quando eu passava por ele na rua, a gente se cumprimentava minimamente. Até que um dia ele me parou e me fez aquelas perguntinhas típicas dos sem-assunto, tipo "como vai tua mãe", blablabla... E a pergunta mais enfática: "você continua super estudiosa?!" ... Eu ri e achei a pergunta tão descabida porque, apesar de eu sempre adorar estudar, nunca fui es-tu-di-o-sa. Daí eu ri e respondi com cara de é-comigo-mesmo?! [sabe como é, mentira pode até andar de salto alto, mas tem perna curta].

Minutos depois eu me dei conta da pergunta dele, mas já estava longe.

Ele me admirava por acreditar que eu era realmente muito dedicada aos estudos ao ponto de não ter tempo pra gente. Ele não sabia que era puro desinteresse. Mas era. Puro desinteresse. Puro. Destilado.

...

Aí hoje tem um cidadão na tua vida que nunca te liga, nunca te chama in box, não te manda SMS, não te procura e, sempre que você faz tudo isso, ele se justifica, pede mil perdões por estar afastado, põe a culpa nos estudos, no trabalho, nos compromissos sociais. Você acredita, morre de compaixão, se oferece pra ajudar, se coloca à disposição...

Infelizmente há muita gente usando outras gentes nas suas experiências pessoais. É muito ego manter uma pessoa aprisionada a outra por uma esperança que nunca vai deixar de ser es-pe-ran-ça, nada mais que isso. É maldade, sadismo, covardia. É desinteresse mesmo. Puro. Puro e destilado.

Quem quer, não dá desculpa. Quem quer, realiza. Até as meninas de 14 anos já sabem disso. Talvez você ainda não tenha 14 anos, mas paciência! Um dia você aprende...

domingo, 8 de setembro de 2013

Coautoria

Por: Tamara Moureth e Ludmila Clio


Arrumar papéis velhos é um risco.
Papéis velhos tornam-se velhos
porque o que neles está escrito já deixou de ser.
Hoje mesmo, li em um deles a nossa história,
escrita em poucas linhas,
mas com palavras tão intensas e profundas
que seriam capazes de perfurar aquele papel.
Quando comecei a passar meus olhos por elas, senti saudade.
Saudade daquele sentimento
que me fez parar meu mundo para prendê-las ali.
Saudade das dúvidas gostosas daquele tempo,
em que eu me perguntava se elas se tornariam felicidade concreta
ou não passariam de palavras sonhadoras, de um conto reticente...
o tempo passou, a esperança esmaeceu,
meu mundo voltou a girar e nossa história deixou de ser,
tornou-se letra fria,
não passou de poucas palavras solitárias, jogadas numa gaveta escura.
Não respiraram, não se transformaram em vida real,
mas em lembranças, em vontades,
em reticências que morreram em ponto final...
Será que algum dia teremos uma história para chamar de nossa?
Enquanto estivermos em mundos diferentes, não.
Preciso da coautoria do teu coração.
Sozinha, não posso chamar de “nossa” essa vontade que é só minha.

domingo, 1 de setembro de 2013

O mendigo da blusa amarela


"O bicho, meu Deus, era um homem." (Manuel Bandeira)


Há alguns dias tenho visto uma cena que se repete, diariamente, na hora do almoço. 
O mendigo chega, de blusa amarela, diz que veio buscar uma marmita. Seu odor é desagradabilíssimo.
As pessoas que já se acostumaram com a sua vinda nesse horário, não lhe fitam os olhos, apenas dizem para que ele aguarde do outro lado da rua.
Para mim, isso é novidade. Não estou acostumada com sua chegada, com sua figura desfigurada. E nem posso me acostumar com isso, o costume nos torna indiferentes.
Na noite passada, me lembrei dele e fiquei pensando em que momento ele se perdeu de si mesmo e transformou-se nesse ser indesejado, rechaçado pela sociedade. Por mais que minha mente voasse, logo me desvencilhei desses questionamentos e pensei em outras coisas, até dormir.
Hoje, no mesmo horário de sempre, ele voltou. 
Ele chegou e uma pessoa logo se antecipou em lhe dizer para esperar do lado de fora, que o almoço já seria entregue.
Ele, subserviente, atravessou a rua, colocou no chão sua mochila, sentou-se na calçada, ao lado de uma lixeira. O sol estava forte. Ele passava as mãos nos cabelos e na barba, frequentemente. Eu o observei de longe, do lado de dentro, por trás das grades. Entre nós havia crianças brincando na varanda e a rua. 
Os pensamentos da noite anterior voltaram com mais força. Não consegui almoçar mais vendo aquele homem com cheiro de decomposição, com trajes deploráveis, jogado como um lixo, na calçada. Não consegui almoçar não pela imagem em si, mas pelo que ela representa. 
Seus olhos estavam absortos. Em quê será que ele pensava enquanto as crianças brincavam, animadamente, na varanda?
Esse homem já foi uma criança. 
E somente nisso que eu pensava enquanto não continha as lágrimas e o nó, embolando minha garganta.
Em que esquina de sua vida ele largou de sua própria mão?
Em que momento ele deixou de ter um nome e passou a ser coisa?
Quando que a sujeira da vida cobriu sua dignidade?
Quando foi seu último banho? 
Será essa a sua única refeição diária? Onde dorme?
Enquanto ele mesmo acarinhava seus cabelos e barba, eu me perguntava quanto tempo há que ele não recebe um carinho, um beijo de mãe, um abraço de filho...
Quando entregaram a ele a marmita, deram-lhe junto um copo d'água. Ele agradeceu. Bebeu a água vorazmente e jogou o copo descartável na lixeira. Um trapo educado. Sabe agradecer. Sabe que lixo se joga no lixo.
Ele pegou sua mochila, a pôs nas costas e foi embora.
Eu continuei com o olhar morrendo ali, do outro lado da rua enquanto as crianças gritavam, felizes, em suas brincadeiras. 
Difícil acreditar que um dia, era o mendigo de blusa amarela que estava brincando em alguma varanda desse mundo.



quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ensaio sobre a Cegueira




Excepcionalmente, ontem tive que sair de casa às 04:20h da madrugada. Como é por volta desse horário que o meu sono chega, eu não dormi, emendei.

Ainda estava escuro, era noite. As estrelas ainda salpicavam o céu. 

Fiz todo o meu trajeto observando as pessoas à minha volta e minha alma gritava, horrorizada, dentro de mim: 'quanta apatia em seus olhos! Essa é a rotina delas!'

Eu ansiava em ver o Sol rompendo o céu. Quando ele finalmente começou a sair, eu me senti tão bem! O olhei enquanto pude, minha alma sorriu, maravilhada. Mas reparei que as pessoas continuavam com seus olhares inertes, para o celular, conversando com alguém, para o nada, engolidas pela repetição da 'vida'.

Então eu orei bem baixinho: 'Deus, cegue os meus olhos se em algum dia eu me tornar indiferente a um milagre tão espetacular desse. Tenha misericórdia dessas pessoas e, por favor, não me deixe nunca ficar como elas. Amém.'

sábado, 3 de agosto de 2013

Epitáfio - Recomendações




Quando eu morrer, será "de repente" para todo mundo. Para mim, será "até que enfim".

Quero que peguem minha sensibilidade com cuidado e a levem para um lugar longínquo e totalmente isolado. Lembrem-se de que ela foi a minha causa mortis. Não a invejem, não a queiram, nem pensem em roubá-la para si. Não mexam com ela.
Se possível, levem junto o meu coração, esse tonto, que sempre cedeu aos caprichos da soberana sensibilidade. Explodam os dois, para o bem de todos. Destruam-nos completamente, sem chance de pairar alguma de suas partículas por aí.
Deixem meu caixão lacrado. Aliás, coloquem meu corpo no mais simples de todos, não quero nem janelinha de vidro. Quis muito ser olhada enquanto estava viva, de modo que, quando eu enfim já não estiver mais, não percam tempo e nem gastem vossa hipocrisia em me espiar descansando. Quero que minhas feições se dissolvam em vossa memória e deixar de ser o assunto já no dia seguinte. Não, não percam tempo falando em mim. Tempo é dinheiro. A vossa vida continua e, a essa altura, eu já serei passado. O mundo globalizado a qual vós pertencestes não vos permite lembranças, lágrimas, tampouco sentimentos.

Ah, e não me levem flores. Deixem-nas enfeitando a vida.
E se descobrirem uma forma de distribuir a "vida toda que eu tinha pela frente" entre aqueles que querem muito viver, o façam, não hesitem. Mas façam isso com cuidado extremo. Levem minha vida pura, destilada, sem sequer um vestígio de contaminação pela maldita sensibilidade. Minha vida diluída na ignorância deles os fará pessoas felizes.
Lamento que a mim não seja possível fazer uma transfusão de ignorância, o segredo da felicidade.

terça-feira, 23 de julho de 2013

À Grande Rainha de Concreto





A casa é grande, obra-prima do ilustre artista
Há brinquedos espalhados pelo chão,
são vestígios de um lar
Decerto houve vida por aqui
 

Hoje os livros estão mudos,
fechados e unidos aos bandos, por todos os cantos
O silêncio é irresistível,
ele me abraça sem me envolver
e silenciosamente me sugere saudades
Mas eu não sinto saudades de nada
Não quero pessoas,
fico bem com as palavras silenciosas
Olho através dos janelões,
a grande cidade está ali,
como que ajoelhada, com o rosto em terra, diante de mim
Como quem reverencia uma alma maior,
que de maior só tem tristeza e exasperação
Meu coração é como o concreto da rainha,
que se prostra, como que indigna de tocar-me com seus olhos gélidos
O céu está gris,
me cobre com seu frio cortante
Por que não chora?
Por que não desaba?
Será que, de tão observada, o inspirei?
Ah, grande rainha de concreto!
Indigna sou eu que, diante de tua realeza,
apresento-me com cacos de alma e vestígios de vida
Dou-lhe o que me resta: minha palavra
Que quando o teu céu finalmente chorar,
eu me misturarei em suas lágrimas
e beijarei a tua boca.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Líder: ou você é ou você está



Hoje resolvi falar sobre liderança, esse privilégio que é para poucos, mas que tem sido decaído por muitos. O que me motivou a escrever sobre isso são as barbaridades que vivi e tenho visto ao longo da vida na posição de liderada por outrem.

Falo especificamente acerca das igrejas e ministérios, onde a "liderança" se justifica com o verso 1 do capítulo 13 de Romanos, que diz: "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por Ele estabelecidas." O que vejo, entretanto, são pessoas completamente despreparadas, incapacitadas e incompetentes se fundamentando equivocadamente nesse versículo. Mais parecem defensores da Teoria do Direito Divino, aquela, criada durante a Idade Média, no auge do Absolutismo para justificá-lo. Naquele contexto, os reis se autointitulavam como os representantes de Deus na Terra e eram respeitados como tal. O que vejo em pleno século XXI são pessoas completamente incompetentes se colocando num pedestal de semideus, intocável e indialogável, o que, na verdade, mais parece uma liderança ditatorial, muitíssimo distante da proposta de Jesus, o maior líder de toda a História.

Para início de conversa, a liderança é um dom nato: ou você nasce com ele ou definitivamente você não nasce com ele. O líder o é de nascença. Ninguém se torna um líder, o que acontece é uma pessoa (líder nata) ao longo da vida ser lapidada e aprimorada nesse posto.

Ano passado fui privilegiada por participar do The Global Leadership SUMMIT, um congresso anual realizado nos EUA e franqueado para outros países, onde é tratado o tema liderança por pessoas renomadas. Na edição do ano passado, ouvi Condoleezza Rice, Jim Collins, Craig Groeschel, John Ortberg e tantos outros. Nessa ocasião, ouvi verdades que valem a pena ser compartilhadas a fim de que pessoas despreparadas (que estão líderes) percebam que definitivamente estão matando seus ministérios, negócios, projetos, enfim.

Pouquíssimas pessoas nasceram para liderar. Segundo Bill Hybels, energizar as pessoas é um desafio exclusivo do líder, e o maior de todos. O autêntico líder motiva seus seguidores e estes, por sua vez, têm prazer em atendê-lo, pois confiam em sua capacidade e o admiram.

Amo uma fala da Condollezza quando ela afirma que "o autoritarismo nunca será estável." Pessoas que não argumentam e que se impõem não servem para liderar pessoas.

Outra fala maravilhosa é a de Jim Collins, quando diz que "é a humildade que separa um líder excepcional do medíocre." Ah, como falta humildade (e humanidade) nas pessoas que estão líderes... O verdadeiro líder é humano. Ele jamais será indiferente à dor e ao desconforto de seus liderados. Um legítimo líder, ao saber que um membro de sua equipe está acamado por exemplo, irá até seu liderado saber como ele está, se precisa de alguma coisa, enfim. Ele jamais ignorará o choro de um liderado, mas procurará saber o que o entristece naquele momento.

Craig Groeschel afirma que "o líder dá espaço para os seus seguidores falharem ou conquistarem, ele não fica impondo o que deve ou não ser feito." Ele ainda diz outra frase maravilhosa que diz que "o respeito se conquista, a honra é dada. A honra pública leva à influência particular." Essa ideia só reforça o poder do diálogo, da franqueza e da autenticidade que um líder deve exalar e defender durante toda a sua vida. Esses elementos são o segredo para despertar em seus liderados o respeito e, por conseguinte, a honra.

Ainda ouvi de Carly Fiorina que "problemas sérios devem ser tratados com sigilo." Isso é tão básico, que me assusta ver tantos "líderes" expondo seus liderados de uma maneira tão imatura.

O líder sempre inspirará as pessoas a segui-lo, a honrá-lo, a querê-lo por perto. Ele deve ter inteligência emocional, postura, resiliência, sensibilidade para interpretar as individualidades de seu grupo, saber usar o que cada um tem de melhor, explorar as suas potencialidades. O líder não manda recados e não lança mão de indiretas. É ele mesmo quem procura em particular seu seguidor e inicia uma conversa franca acerca do que precisa ser tratado. Ele jamais usará alguém como exemplo na frente do grupo sem que antes esse alguém já tenha sido procurado e autorizado ser exemplo.

O que fica é a indignação em ser liderada por pessoas tão incompetentes, vê-las cometendo erros grotescos e primários, que só revelam sua mediocridade e despreparo. Pessoas preocupadas em ser enérgicas o tempo todo em detrimento de ser gentis e educadas. Para essas pessoas deixo uma dica valiosíssima: em agosto, nos dias 08 e 09/2013, acontecerá mais uma edição do SUMMIT, em Chicago. Visitem o site www.willowcreek.org.br e vejam como se inscrever. O bom mesmo seria entender, de uma vez por todas, que vocês nunca serão líderes, apenas estão. Mas... como conheço muito bem sua teimosia e limitação, sugiro que façam o SUMMIT e tentem apreender alguma coisa, pelo amor de Deus!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Resposta

http://www.youtube.com/watch?v=C2bMdIfYb3E


Aguentei teu silêncio, engoli tuas distâncias.
Você voltava e, sem aviso, se distanciava novamente.
Minhas mensagens raramente eram respondidas
e ainda tive que suportar tua iludida felicidade,
em viagens sorridentes por aí.
Você estampou fotos, publicou alegrias
e me fez acreditar que estava no paraíso,
perdendo-se em fios dourados,
em paisagens muito bem intencionadas.
Tive que calar meu coração, manter-me distante.
Tive que abaixar o som e recolher as minhas poesias.
Enquanto vocês brincavam de faz-de-conta-que-somos-felizes,
eu implodia em saudades e em certezas de que
aquele todo não preencheria os vãos do teu coração.
Mas, o que pude fazer,
senão me recolher, me calar, me morrer?!
Daí o aparente céu revelou-se inferno
Toda felicidade desnudou-se, era sórdida deslealdade
Você passou então a [sobre]viver dias lancinantes
e noites de tormentos.
Só então lembrou-se de mim, quis voltar àqueles dias,
em que sabíamos exatamente o que tínhamos que fazer
para ser a perfeição em mimos, músicas e amor.
Mas por três segundos nos desencontramos
resolvi não esperar mais nada dessa promessa-certeza,
me recolhi, fui embora.
Agora
em poesias me atacas,
me bombardeias todos os dias com entrelinhas encharcadas de acusação,
expõe-me toda tua insatisfação e desapontamento
e me culpa por não mais estar ao teu alcance.
Ora, não sou culpada,
mas não tenho vocação para ser o plano B.
E na tua vida sempre fui o plano C, o plano D
[ou não?]
Nos braços de quantas eu te vi entrelaçado?
Ah, eu estava o tempo todo ali...
E em três segundos o mais-que-perfeito tornou-se mais-que-comum.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cores Frias



Os dias passam e mal posso acreditar
Caminhávamos para um lugar calmo,
sem complicações e perguntas
Estávamos em paz, na cadência do outono
Sem maiores expectativas
contemplávamos o entardecer todos os dias
e suas cores lindas nos faziam sorrir
Mas um vento tão forte, tão inesperado, nos sobreveio
...
Fez revoar todas as folhas secas, que adornavam nosso caminho
e fez cair tantas outras, que se agarravam aos galhos secos
Tudo se misturou, tudo se confundiu
Apertamos as nossas mãos ainda mais forte e,
com o intuito de não nos perdermos, nos perdemos
O vendaval [que causamos] trocou tudo de lugar,
arrancou as folhas, sacudiu os sentimentos
Despertou-nos ações inesperadas, reações imprevisíveis
Soltamos as mãos,
fomos cegados pela circunstância
O destino calmo, de tardes coloridas,
agora é lancinante e nebuloso
Nos perdemos
O que essa ventania gerou em nós dois?
Tenho medo dessa paisagem desfigurada e,
embora as dúvidas me consumam,
não consigo buscar respostas
Implodo em silêncios e não te procuro,
sem saber se isso é sensatez ou puro medo
Abro a janela, mas não te vejo
Estou cercada pelos ecos das palavras carinhosas,

pelos vultos de certezas que já não existem
Olho pela janela,
as tardes ainda têm cores, cada vez mais frias
E logo será inverno.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre o leite derramado



Novamente

Canta para mim,
diga que eu serei feliz
Chora comigo,
Ofereça a mim o teu colo
Guarda as coisas espalhadas,
Adivinha os meus pensamentos
Vai, prepara o jantar,
Dança para mim
e olha dentro dos meus olhos
quando eu chorar
querendo te abraçar
e te vendo partir,
negando para mim tudo o que te pedi
isso para se vingar
daquele dia em que deixei
perdidos os teus pedidos
E de nós dois
só restarão então a nostalgia e a saudade
de um futuro que a gente acreditou ser nosso.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Um amor em sete cordas


http://www.youtube.com/watch?v=4bBo0UlxCOs

Acabei de te ver, casualmente na rua
Quando meus olhos te viram,
eles se abriram mais e brilharam,
Meu coração disparou, meu corpo inteiro tremeu
Não esperei que teus olhos se encontrassem com os meus:
Eu fugi, corri para outra direção
e fiquei aflita, olhando para trás
Ao mesmo tempo em que eu não queria ser vista,
eu só queria correr para teus braços,
Te abraçar muito forte e te falar da saudade,
que está aqui, dentro de mim
Ao te olhar, meu tempo começou a passar em outra cadência,
Como naqueles tempos,
em que éramos felizes, um do outro
Nossos dias eram de doce espera, músicas,
olhares profundos, brilhos na alma, silêncios reveladores
Eras meu músico e eu, tua poetisa
Éramos um em mil letras, em tantos tons, em sete cordas,
em anseios, planos e felicidades
Eu escrevia para ti, colhias poesias do meu coração todos os dias
Mas rompemos
Nos perdemos
A sociedade venceu
Morremos
A poesia fugiu de mim, tornei-me estéril
Passaram-se alguns anos
Outras pessoas entraram na minha vida e eu até as amei,
Mantendo-te em minha caixinha secreta
Pensei que havias evaporado dentro dela
e que já não passavas de uma doce lembrança, a melhor de todas
Entretanto
Hoje, ao te ver,
essa poesia veio correndo e sorrindo para mim,
agarrou-se em meu coração,
deixando-me sem ar para respirar
Basta te ver para a poesia brotar em meus poros
Hoje tive certeza de que eu só não te amo
Quando eu não te vejo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

De olhos fechados

Olhos fechados...

Fecho os meus olhos,
aqui dentro tudo em mim é tão feliz
Aqui dentro te encontro 
Te olho com calma, em detalhes, de coração 
Aqui dentro te sorrio e me correspondes 
Aqui dentro os teus olhos brilham para mim 
Quando fecho meus olhos, 
teu coração me pertence
e quer me guardar para si 
O mundo lá fora é maior, 
tem mais pessoas, mais solidões 
No mundo lá fora não me conheces, 
Sequer imaginas a minha existência 
e isso me é dilacerante 
Porque o mundo lá fora 
ainda é o mundo real.

sábado, 16 de março de 2013

Triângulo




Agora me diz
Para onde eu devo ir
Aonde é que eu vou buscar ao menos um pouco de graça
Para essa vida tão desgraçada
Se em cada palmo do chão do centro dessa cidade
Tem um pouco da gente
E por cada esquina em que se anda
Ainda se podem ouvir os ecos das nossas palavras de amor
Agora me diz
O que eu vou fazer com toda essa bagunça
Que ficou espalhada pelo chão da minha vida
Quem é que vai se interessar pelas minhas entrelinhas
Quem me compreenderá tão perfeitamente, em silêncio
Quem vai me esperar pelas manhãs, junto ao violão?
Agora me diz
O que eu faço com toda essa juventude estampada na minha cara
Me diz a quem eu devo doar esse estoque de sonhos
que está começando a estragar dentro de mim
Como é que eu calo as nossas músicas no meu coração
E como eu posso gostar um pouquinho da vida sem tê-lo comigo,
Se todos os meus amanhãs foram dedicados a ti, me diz
Me explica, por que desistiu?
Por que jogou nossa caixinha de música aos cães?
Por que preferiu dar respostas sociais?
Que dor, que dor ler teu amor por mim em teus olhos,
Sabê-lo intacto. O mesmo. Indelével.
Mas foste um grande covarde.

E ela sempre soube de nós dois.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O Petróleo é nosso, mas os Royalties são deles




     A Constituição Federal estabelece em seu artigo 20, inciso IX que os recursos minerais, inclusive os do subsolo, pertencem à União. Neste momento, o Congresso está em polvorosa e todos os estados federados têm representantes fervorosos, defendendo tal artigo. A verdade é que tá todo mundo querendo levar uma fatia generosa desse ouro negro. Ou vai me dizer que esse afinco todo é pra investimentos em educação, saúde, dignidade? Ah, se esse nível de indignação dos deputados de tudo quanto é canto do país fosse pelo não cumprimento do lendário artigo 5º da CF, hein?! Já pensou?


     Agora os representantes do ES e do RJ fazem beicinho, põem as garras de fora e afirmam, aos berros, que lutarão pela reversão da votação no Congresso, visto que o veredicto foi baseado no tal artigo 20 da CF... até parece que estão mesmo pensando na constitucionalidade!

Infelizmente há dois pesos e duas medidas, aliás no Brasil, há uma verdadeira multiplicidade de pesos e medidas. No momento, o artigo da vez é o 20. Que se danem todos os outros.
     Seja qual for a definição dessa pauta, a insatisfação de algum dos lados é certa. Este é o caso em que não há possibilidade de agradar a todos, dessa vez não haverá jeitinho brasileiro.

     Se o ES e o RJ tiverem sua liminar atendida e revogarem a decisão do Congresso, despertarão um mal-estar na "terra de samba e pandeiro", mas pensando bem, uma certa hostilidade velada entre os estados federados poderá retumbar algo de bom. É que, desdenhosos, os demais estados ficarão com os olhos mais abertos em cima do ES e do RJ, ávidos para flagrar alguma ilegalidade que, de certo, acontecerá, e aos montes.

     Perplexos com tantos esbanjamentos alheios, quem sabe eles não reajam constitucionalmente? Embora a CF seja de 1988, esperamos por isso desde 1500.

sábado, 2 de março de 2013

Delicado Lixo




E pensar que foi por tanto amar
que ela transformou-se assim...
O amou demais, amou-se de menos,
deu nisso
Há muito virou parte integrante da casa
Na cama é apenas mais um travesseiro
Os olhos dele não brilham,
Simplesmente não sabem para onde estão indo
E essa falta de destino a deixa exaurida
Vez ou outra ela vê seus sonhos
sendo realizados por outras pessoas
E pensa que não nasceu mesmo para realizá-los,
apenas sonhá-los
Mas como persistir nesse convívio morno?
Por que insistir nessa vida tão insossa,
se lá fora é tão desejada?
Esse tédio disfarçado de amor
transformou-na num lixo em formato de mulher,
mas mulher alguma merece isso.