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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pedras sob o Sol de verão


Podem tacar pedras: eu amo o horário de verão! 

Nesses dias que o antecedem, muitas pessoas estão mal humoradas, praguejando o novo fuso-horário, maldizendo o calor, que parece aumentar nesse período.

Ora, já aviso de antemão que em matéria de calor, sou expert. Nasci e cresci numa cidade verdadeiramente quente. Em meu Cachoeiro de Itapemirim, no mês de janeiro, faz 45 graus com sensação térmica de 50. À sombra. Então não tente me explicar o calor. Vai por mim, disso eu entendo.

Quando eu era criança e podia gostar do que eu quisesse gostar sem ter que me preocupar com o quanto isso pesaria em relação à opinião alheia, o advento do horário de verão era o prenúncio de que a melhor época do ano estava por vir. Estavam chegando as férias escolares, os dias em que eu poderia, enfim, dormir na hora em que eu quisesse e acordar ao meio-dia. Ou mais tarde.

Estava chegando dezembro: o mês fantástico em que toda a cidade se enfeitava para o Natal; as ruas ficavam lotadas, embaladas pelas canções natalinas, como nos dias de hoje. Só que hoje isso já acontece em outubro, o que desencantou dezembro e tirou dele tudo o que ele significava.

Depois chegava o tão ensolarado e esperado janeiro! Reveillon com a grande família, em Minas Gerais! Terraço lotado, expectativas, reencontros, amigo X, comida, causos e claro, os disputadíssimos canudinhos de doce de leite da vó Alice!

Depois eu voltava com os meus pais para o Espírito Santo e me casava com o mar. É indescritível a sensação do ar quente entrando pelas narinas, do mormaço sob o céu já estrelado, a pele ainda quente de Sol, cheia de sal e alguns tons diferente.

Eram dias de maratona de brincadeiras com meus primos. Dormíamos ao som do mar arrebentando nas pedras, como nossos corações, explodindo no peito, em completa ansiedade pelo próximo dia.
Janeiro voava. Daí inaugurava fevereiro. De volta à minha cidade, minhas ansiedades orbitavam em torno de qual capa de caderno minha mãe me deixaria escolher, de que turma eu seria na escola.

Então acabava o horário de verão. Já estávamos todos uniformizados, na rotina sem brilho. Não que eu não gostasse _amasse!_ estudar mas, irrefutavelmente, o encanto, por fim, havia acabado e tínhamos o ano inteiro pela frente...

Verdade é que todo mundo sente saudade de alguma coisa, de alguém e, esporadicamente, mata um pouco dessa saudade quando sente um cheiro, quando prova um gosto específico, quando ouve uma música, revê uma foto, revisita um lugar. Eu, no entanto, sou uma abençoada por poder aplacar as minhas saudades e reviver as melhores sensações da minha vida por 04 meses ininterruptos!

Nesses quase 120 dias de horário de verão, eu coloco os meus sonhos da infância no Sol, eu me reencontro com a menina sonhadora, faladeira e feliz que eu era.

O horário de verão é o horário marcado para o meu reencontro com meus pais, que hoje estão tão distantes de mim: mamãe, geograficamente. Já o papai, em todos os sentidos. Mas no horário de verão, estamos juntos! Caminho com ela pela praia, fico horas com ele aprendendo a mergulhar de ponta.

Nesse instante, à minha volta, é quase que uníssona a reclamação do calor. Eu acho graça. Nem está tão quente assim. Eu puxo o ar morno, com toda a força dos meus pulmões e, ao mesmo tempo em que sorrio, não contenho pelo menos duas lágrimas. Elas me lembram que eu posso sim amar esses dias quentes, sem me preocupar com as pedradas.

Por falar nelas, que atire a primeira pedra quem ainda acha que sou uma louca por isso. Continuarei amando apaixonadamente o horário de verão, ninguém vai apagar o Sol que brilha_ incandescente_ dentro de mim.

E seja muito bem-vinda, menina sonhadora, faladeira e feliz!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Decifra-me ou...



Quando desvio os olhos,
pode ser que eu esteja me comunicando
Quando eu sorrio,
tanto posso estar sufocando o choro,
como posso estar mesmo sorrindo
Quando me faço de muralha,
pode ser que eu esteja precisando de colo
E nem sempre que eu falo em amor, estou amando
Às vezes sinto saudade apenas enquanto escrevo
Não escolhi a poesia: fui por ela escolhida
Não sei viver de maneira exata, 
sou abstrata, respiro entrelinhas
Minh'alma é enigmática, mas decifrável.

Cuide bem do teu amor...



O amor excede as palavras.
Ele é declarado silenciosamente nas atitudes mais simples,
nos cuidados mais sutis. 
Zelamos por quem amamos acho que, por puro agradecimento 
Porque pessoas especiais transformam a importância de tudo em nossa vida, 
mudam o sentido das coisas, 
fazem do comum, o extraordinário. 
Pessoas especiais são raras 
e cuidar delas é um privilégio existencial. 
É sabedoria também.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pessoas desinteressadas [demais] estão ocupadas [demais]




Tive o primeiro namorado aos 14 anos. A maioria das minhas amigas já tinha beijado na boca e eu tinha curiosidade de saber como era.

Ele tinha 23 anos e, definitivamente, não tinha nada, nada a ver comigo. Mas, movida pela curiosidade e pelo status de ser uma pirralha de 14 anos tendo um cara de 23 interessado, parti pro primeiro beijo sem saber que ali eu estava inaugurando um relacionamento, um namoro.

Quando me toquei que estava "comprometida", fiquei desapontada. Por mim não precisaria de nada mais, afinal de contas, eu já havia provado o que eu queria.

[E acho desnecessário dizer que eu usava aparelho nos dentes, com borrachinhas verdes e amarelas no maxilar superior e azuis no inferior... É, o cara deveria estar mesmo muito, muito interessado... Ou seria desesperado?!]

Enfim, quando a ficha de que eu tinha um proprietário caiu [o sujeito era insuportavelmente ciumento], eu subitamente me tornei uma menina muito, muito estudiosa, de modo que, a qualquer hora do dia ou da noite em que ele me ligava ou aparecia na minha casa, minha justificativa para não poder conversar ou sair era irrefutável e louvável: meus estudos. Acima de tudo [e de qualquer suspeita].

Depois que eu me justificava por telefone ou pessoalmente, voltava a ouvir música, assistir televisão ou a fazer nada. Simplesmente não queria me doar a ele. Ele não sabia que eu só queria que ele fizesse parte de uma experiência pessoal e não que fizesse parte da minha vida!

Nosso "namoro" durou menos de um mês. Foram os dias mais dedicados aos estudos de toda a minha vida! Até que criei coragem e terminei. Era muita cobrança, muito ciúme, muita expectativa sobre mim, que só queria um beijo.

Muitos anos se passaram. De vez em quando eu passava por ele na rua, a gente se cumprimentava minimamente. Até que um dia ele me parou e me fez aquelas perguntinhas típicas dos sem-assunto, tipo "como vai tua mãe", blablabla... E a pergunta mais enfática: "você continua super estudiosa?!" ... Eu ri e achei a pergunta tão descabida porque, apesar de eu sempre adorar estudar, nunca fui es-tu-di-o-sa. Daí eu ri e respondi com cara de é-comigo-mesmo?! [sabe como é, mentira pode até andar de salto alto, mas tem perna curta].

Minutos depois eu me dei conta da pergunta dele, mas já estava longe.

Ele me admirava por acreditar que eu era realmente muito dedicada aos estudos ao ponto de não ter tempo pra gente. Ele não sabia que era puro desinteresse. Mas era. Puro desinteresse. Puro. Destilado.

...

Aí hoje tem um cidadão na tua vida que nunca te liga, nunca te chama in box, não te manda SMS, não te procura e, sempre que você faz tudo isso, ele se justifica, pede mil perdões por estar afastado, põe a culpa nos estudos, no trabalho, nos compromissos sociais. Você acredita, morre de compaixão, se oferece pra ajudar, se coloca à disposição...

Infelizmente há muita gente usando outras gentes nas suas experiências pessoais. É muito ego manter uma pessoa aprisionada a outra por uma esperança que nunca vai deixar de ser es-pe-ran-ça, nada mais que isso. É maldade, sadismo, covardia. É desinteresse mesmo. Puro. Puro e destilado.

Quem quer, não dá desculpa. Quem quer, realiza. Até as meninas de 14 anos já sabem disso. Talvez você ainda não tenha 14 anos, mas paciência! Um dia você aprende...