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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Chega!



Descobri que não gosto de gente.

Tenho, com a solidão, uma relação sem vergonha. Ela me agride todos os dias (mais especialmente todas as noites), mas eu não posso viver sem ela. Não, eu não me imagino sem solidão.

Parece que a minha missão é resgatar relacionamentos falidos, sou um salva-vidas de amores desenganados. Já não me vejo dividindo a minha solidão com outra. Não , eu não suportaria, minha solidão é só minha, nós nos pertencemos. Sei que é bom amar, mas a felicidade que o amor me proporciona me tira a inspiração.
Minha inspiração brota no tronco da dor. Como eu andaria na poesia se eu fosse feliz? Definitivamente eu não posso trair a minha solidão com um amor, por mais especial que seja. Eu tenho uma imagem de poeta a zelar e poetas são _miseravelmente_ tristes.

Sou uma transpirante de poesias _sim, transpirante. Não posso imunizar-me disso com um amor.

Penso que a minha excelência em reparar amores falidos esteja chegando ao fim, não quero mais isso. Se seus amores não deram certo, por misericórdia: nem olhem para mim. Não se lembrem de mim. Não evoquem minha existência. Que os corações destruídos explodam.

A dor dos outros os faz apáticos, amargos, suicidas. A minha faz-me poeta.

É a minha perfeição em ser triste que faz de mim uma grande atriz, uma amiga desinteressada, uma doida varrida. Não me cobrem atenção, meiguice, amizade ou sorrisos. Isso quem dá é o amor, e nós rompemos. Para sempre.

E também descobri que não gosto de gente.

Eu decidi que não vou me trair com amor algum.


Eu não quero mais me sujeitar a reacender amores que não são meus, eu não quero mais consertar os erros alheios. Quero apenas suportar o meu erro, que foi aceitar o jogo de ódio da solidão, mesmo sem o merecer.

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