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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Saudade, um chavão

"Nada é orgânico, é tudo programado."

Hoje, ao responder um torpedo de uma amiga, me espantei com a minha própria sinceridade. Terminei o torpedo dizendo: “Quando vamos nos rever? Você é uma das raras pessoas das quais eu consigo sentir saudade.”

E é verdade.

Na “Era da Comunicação” o que somos? Somos a Geração Solidão.

Nunca houve tantas pessoas no planeta. Somos bilhões. Bilhões de pessoas. Bilhões de solidões. Todas plugadas no mundo virtual, com fones acoplados aos ouvidos _surdos para o mundo real_ e olhos atentos à uma pequena tela na mão.

A saudade, coisa que mata, virou um clichê. Assim como chamar qualquer um de “amigo”. Não é a primeira vez em que eu me indigno com isso. Amigo é amigo, colega é colega, conhecido é conhecido. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E saudade mata. Pelo menos leva à míngua. Saudade dilacera. Tira o apetite. Tira o sono. Tira a concentração. Então, saudade mata, sim senhor.

A Geração Solidão é essencialmente saudosista. Sentimos saudade do que nem sabemos, mas sentimos.

Pensando friamente (e por isso me assustei com minha mensagem), não sinto saudade de todo mundo que não está mais presente na minha vida. Realmente sinto saudade de raros, poucos. Há lembranças que me vêm à mente e me fazem sorrir, saudadezinhas gostosas de sentir. Poucas.

Há pessoas que não vejo há meses. Outras, há anos. E sinceramente não me fazem falta. Saudade não é pra sentir de tudo, nem de qualquer época ou de qualquer pessoa. Saudade é uma perspectiva do amor, e amor não se sente de qualquer jeito.

Na Era da Comunicação verbalizamos pouco. Expressamos menos ainda. Haja bateria e emoticons! Somos frios, eletrificados, automatizados, mecânicos, inexpressivos, programados. Há um vazio nessa geração, um esfriamento evidente em nossos olhos.

Na época das cartas e dos DDDs caríssimos havia mais calor humano. Precisávamos mais uns dos outros e demonstrávamos mais isso. A tecnologia não é ruim, talvez a fraqueza seja humana mesmo.

E nesses dias tão desumanos, não me sinto assim por não sentir saudade de todas as gentes. Só não gosto de sentimentos em massa, “modinha da saudade” não rola. É triste que a saudade, sentimento por pessoas especiais, seja um chavão da Geração Solidão, onde ninguém sabe ser especial.


Estou aguardando a resposta da minha amiga...

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