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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Acaso


Passam quantas pessoas em sua vida, diariamente?
É fila de banco, atendente de padaria, trânsito difícil, academia.
Dezenas de possibilidades diárias, mas seus olhos teimam,
têm aquele brilho incandescente por tudo que _dentro do cotidiano_ soa impossível.
“De senso comum o mundo está cheio”, diz.
Pior que é verdade.
E ainda bem que existem almas com sede de impossíveis.
Um dia, duas delas acabam se esbarrando numa fila de banco ou numa livraria por aí.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Amor Meu


Não gosto de te chamar de amor
embora muito eu te ame
Aliás, é por muito te amar
que eu não gosto de te chamar assim
Chamar de amor quase sempre é um clichê,
seja amor inerte, pesado de costume
ou porque estão olhando e soa bem
Não, não soa!
Amo-te tanto que não mereces ser chamado de amor
Pois és amor sentido,
amor doído, amor esperado, demorado,
amor feito com amor
Não, eu não gosto de te chamar de amor
embora muito eu te ame
Olha aí!
O amor está na boca de qualquer um!
Tolos, traidores, indiferentes, frios, impostores
E meu amor transborda fervente
Vive
Espera
Mata
Me devolve à vida
Jamais morre
Meu amor explode na palavra fria
Ri da soberba de quem se sente dono
Não cabe no clichê
e cospe na cara do costume
Meu amor deixa a porta aberta,
não precisa dos teus olhos para ser leal
Não, eu não gosto de te chamar de amor
embora muito eu te ame
Aliás, é por muito te amar
que não posso te chamar assim.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Quando um Sonho se Desfaz


Nunca mais me pergunte se estou bem
Sonhei por aí, e naquele banco de praça
Mas o sonho é a porta que abre para fora, é ida
E eu nasci devendo,
essa conta vou pagar com minha vida
Enfim, eu me rendo, aceito a fôrma
Automatização da alma, o sim forçado
A razão é a porta que abre para dentro, é volta
e é aqui que me encontro, ficha caindo
Porta que abre para dentro:
medíocre realidade imposta,
que me acorda chutando a boca todas as manhãs
Aceite, alma, nem todas nascem para vencer
Sonhos custam caro, não foram feitos para você
Empurre a vida,
Assista, espremida em teus fracassos, às vitórias alheias
Simplesmente conforme-se com essa sua patética existência
Limpe o sangue da sua boca a cada manhã e sorria
Isso é teu, nada mais que isso
Vida sem idas
Sempre voltando, retrocedendo, negativando
Portas que abrem para fora custam caro
e você mal tem dentes para mastigar um pão
_quando este não lhe falta
Tua porta é a que abre para dentro,
maldita razão sempre exata
E nunca mais me pergunte se estou bem,
visto que já não sonho em lugar algum
E sigo em frente, sempre voltando,
enquanto limpo o sangue da minha boca e sorrio
parecendo estar tão bem.

sábado, 7 de novembro de 2015

Eu: Antíteses


Simplesmente confusa, penso que algum dia serei incrível.
Tenho ótimas ideias, porém nem sempre as realizo.
Sonho demais, o tempo todo, raramente lembro do que sonhei quando acordo.
Eu achava tatuagem coisa de marginal. Hoje tenho sete e já tenho a oitava em mente.
Minhas amigas dizem que eu mudo a toda hora.
Amo a minha mãe, tenho ciúme do meu pai.
Já tive verdadeira abominação pelos Estados Unidos, já cogitei morar lá um dia
_e adoro Coca-Cola, desde sempre, mas evito.
Sou canhota até pra mastigar, uso mais o lado direito do cérebro.
Amo golfinhos, nunca vi um de perto.
Amo temperos. Comida e gente sem tempero não têm a menor graça.
Torço pro Flamengo e nem adianta fazer cara feia.
Nunca tive furúnculo ou torcicolo, nunca tive dengue, nem conjuntivite. 
Tenho os dois joelhos e os rins _muito_ ferrados.
Amo música, mas nem todo tipo.
Adoraria distribuir fones para funkeiros. 
Adoro dançar, morro de vergonha de dançar em público.
Gosto da simplicidade, fujo de ostentação.
Não tenho paciência pra drama, sou dramática.
Corro de gente melindrosa.
Às vezes sou fleumática, às vezes faço tempestades em copo d'água.
Sou capaz de morrer por um algodão doce.
Tenho um livro publicado e lá vem o segundo, sinto vergonha que me leiam na minha frente.
Minha memória é seletiva, não me lembro do que não me é importante.
Adoro praia, morava a meia hora da praia, só ia lá uma vez por ano. Agora moro a quatro horas da praia. Devo ir lá daqui uns 3 anos.
Nasci detestando Beatles, antipatia de nascimento, sem motivo. Já tentaram me converter, tentaram.
Passei a gostar de Beegees de repente.
Não gosto de chorar, choro por qualquer coisa.
Não liguei pra morte de Renato Russo, chorei semanas pela morte do Ayrton Senna.
Sou individualista, não me dou muito bem em trabalhos em grupo.
Tenho mania de perfeição.
A maior vítima da minha TPM sou eu mesma.
Já fui a melhor da classe, já fui expulsa de sala.
Odeio palavrão, falo alguns.
Gosto de observar, o que me encanta é o invisível.
Não gosto de frases feitas, adoro usar frases de músicas.
Já tive milhares de amigos. Amo profundamente os meus raros amigos.
Adoro conversar, não tenho paciência pra conversas com gente pequena.
Alguns me acham esnobe e abusada_ às vezes eu sou mesmo.
Sou sincera, gosto de transparência.
Sou hiperbólica, não gosto de metades.
Já morri de amor. Já senti mais amor que recebi, já recebi mais amor que amei.
Sou desconfiada, desconfio até de mim, desconfio mais de mim que dos outros.
Já viajei por horas para conhecer alguém.
Eu me conheço inteira, às vezes me surpreendo comigo mesma.
Adoro chocolate, adoro músicas melancólicas.
Nunca me convide para assistir a filmes de ficção fantasiosa, de vampiros e zumbis, nem com dinossauros ou com bichos falantes porque eu não vou.
Sou fã dos Vingadores, me identifico com a fúria do Incrível Hulk. Sou calma até demais.
Adoro a trilogia do “Antes do Amanhecer”. 
Adoro "Doce Novembro" e "Outono em NY". Sempre choro como na primeira vez.
Estudei piano por quase vinte anos, não sei mais tocar piano. Quero ter um piano em casa.
A violência me apavora. Pratico muaythai e boxe, tô enrolando há meses pra voltar pro jiu jitsu.
Ouço todo mundo, não me abro facilmente.
Eu queria ter a força da minha avó.
Amo minha filha, minha filha me enlouquece.
Adoro dar carinho, sou carente.
Já fui depressiva, já fui refém dos 'tarja-preta'. Jamais tomaria aquelas porcarias de novo.
Meu humor é ácido. Quase ninguém entende _acho que gosto dele por isso.
Conheço gente das quais me envergonho por conhecer.
Gosto de dormir de dia, passo madrugadas acordada, escrevendo.
Amo Elvis, ele morreu antes de eu nascer.
Espero ir, um dia, aos shows do Maná e do Aerosmith.
Sou apaixonada por Geografia, não faço ideia de onde fica a Federação dos Estados da Micronésia.
Reparo nas mãos, nos olhos e sorriso das pessoas, mas é a inteligência e a sensibilidade delas que me capturam para sempre.
Adoro o silêncio, eu falo demais.
Eu me disfarço, me divido, me multiplico.
Eu me resumo, me alongo. Me abrevio, me expando.
Também tem dias em que eu me condeno, me critico.
Às vezes, sinceramente, eu me adoro.
Às vezes, sinceramente, eu nem sei.
Talvez por não me entender que eu não nunca desisto de mim mesma.
Sou um desafio complicado e é por isso que eu não me largo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O que Sempre quis Ser


Guarda pra mim o teu último brilho,
teu último fulgor, teu último vestígio de luz
Guarda pra mim o teu último desejo,
teu último abraço, teu último beijo
Guarda só pra mim a tua última esperança,
tua última hora, sorriso e lágrima
Guarda também o teu último pensamento, teu último sentimento,
carinho, vontade, olhar, bilhete, música
Eu não quero nada que nasça primeiro,
nada que venha antes, que acorde cedo
E enquanto guardar meus últimos pedidos,
resista a cada ataque da saudade,
não se renda ao pesadelo, tampouco à realidade
Vá gastando teus milésimos de segundos com terceiros
[eu espero]
Ainda que chova,
hás de chegar a tempo
[eu sinto]
Pousarás teus olhos _urgentes_ sobre mim
[eu quero]
e em êxtase, receberei teus últimos presentes
Serei então a tua última certeza
e me tornarei tua última lembrança:
o que sempre quis ser
Pois o último não é resto, mas o que fica
E sendo o último, torna-se primeiro
e assim se eterniza.

Novembro Azul


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Sou Apenas

Clique aqui para assistir. Pegue um lencinho.

Que fase maravilhosa a que tenho vivido! "Febríssima" irá ao forno semana que vem, os últimos rabiscos do ilustrador, o incrível Vanz Santos, estão sendo executados! Sensação maravilhosa de ver, de forma palpável, tudo o que foi imaginado. Além do tempo record, ele alcançou em cheio o cerne da proposta. Nada mais sensacional que lidar com alguém que compreende o que é dito e, mais ainda, sentido!

Ademais, ao longo do processo de pré-venda e gestação desse segundo filho, ganhei artes lindas como esta imagem que meu amigo irmão (e também escritor) Diego Velleno criou para divulgar o "Febríssima" e há algumas semanas fui sacudida por essa obra-prima (vídeo - clique no link sob a imagem) do meu grande amigo Danyel Sueth, que pegou meu texto em forma bruta e o lapidou com essa magnitude! Interpretação maravilhosa, simples e profunda. Perfeita.

O "Febríssima" tem me trazido pessoas que eu não conhecia, me reaproximado de algumas que estavam distantes e aprofundado outras relações. Essa integração toda faz dele um sonho não mais particular, mas um sonho de todos os "febris" que embarcaram de corpo e alma nesse delírio comigo!

No primeiro trimestre de 2016 "Febríssima" será lançado simultaneamente no Brasil e em Portugal, casa da Chiado Editora! Quem sabe não passo por lá pra conhecê-la e dar um abraço na minha mãe?! 

Estarei em Cachoeiro de Itapemirim-ES (minha terra natal e quente) para fazer o lançamento oficial com meus amigos e chegados. Em breve as datas serão confirmadas.

Quando o ano de 2015 entrou, eu não sequer imaginei que teria meu segundo livro publicado, tampouco com as proporções que ele tem sido gerado.

Agradeço a Deus, à Chiado Editora pelas portas abertas, à minha mãe _delirante número um_, aos amigos, a Mark Zuckerberg, a Graham Bell, aos Correios, aos índios, ao incrível Hulk _pela empatia ímpar_, ao Mick Jagger, Steven Tyler, Adele, aos irmãos Lumiere, aos sommeliers da Terra... todos, de alguma forma, participaram efetivamente do "Febríssima"! 

Falando sério, gratidão define!